Aí vão sete vitórias e quatro pontos de vantagem sobre os rivais FC Porto e Sporting. O Benfica está em modo «rolo compressor» e, esta tarde, foi a Guimarães cumprir a tradição, ao vencer o 19.º duelo consecutivo com o Vitória (23 jogos sem perder – a última derrota foi em 2013) e ganhar balanço para a receção ao Barcelona na próxima quarta-feira para a Liga dos Campeões.

Antes do Barça, o Berço.

Mantendo a aposta nos três centrais, Jorge Jesus fez estrear como titular o reforço Lázaro, que rendeu o lesionado Diogo Gonçalves no flanco direito, e durante meia-hora permitiu que o 4-3-3 apresentado por Pepa fosse dividindo a iniciativa de jogo e repartindo oportunidades.

Parada e resposta, apesar de ascendente da equipa encarnada, que com tempo e espaço se mostrou mais perigosa. Foi assim até que o caça ucraniano começou a fazer estragos. Dois raides cirúrgicos arrombaram as portas do Castelo. Yaremchuk mostrou poder de fogo: capacidade de pressão, inteligência nas diagonais e frieza a finalizar. Marcou por duas vezes e esta tarde fez tantos golos como nos oito jogos anteriores pelo Benfica.

Aliás, podia ter feito um hat-trick ainda antes do intervalo, aproveitando a absoluta desconcentração do eixo defensivo vitoriano.

Há que destacar este aspeto. Foi por aqui que o castelo começou a ruir. As muralhas podem ser do mais duro granito, mas não há como resistir a um assalto se as trancas dos portões forem de plástico, incapaz de susterem a artilharia pesada.

Mumin e Borevkovic mostraram debilidades nos golos consentidos. Por sua vez, Alfa Semedo perdeu bola atrás de bola, não cumprindo a função de cabeça de área.

Assim, não há como equilibrar a contenda, perante um Benfica pressionante e perigoso nas transições ofensivas: mostrou que acelerando – sobretudo por Rafa – acabaria por encontrar o caminho para a baliza.

A perder, o Vitória tentou reagir na segunda parte. Entrou bem e desperdiçou ainda mais do que a abrir o jogo: Edwards, o maior perigo à solta, mostrou alguma displicência ao finalizar. Estupiñán mostrou deficit de qualidade nas mesmas condições e acabou por falhar uma mão cheia de ocasiões. Mais ainda do que Darwin, que do lado contrário levou Jesus à exasperação aos 65m quando perdeu a oportunidade de isolar Yaremchuk (tal como havia acontecido na primeira parte) num contra-ataque de dois para um.

Darwin respondeu a JJ, pensou que ia ser substituído logo de seguida, mas foi Yaremchuk a ser poupado.

Haveria de ser Rafa (pois, claro) de novo a acelerar o jogo e a acabar com as dúvidas, aos 73m, quando serviu João Mário para o terceiro dos encarnados.

O prémio do Vitória chegaria cinco minutos depois, num penálti convertido por Bruno Duarte, após falta sobre Rochinha de Lucas Veríssimo, que fez uma má exibição e escapou sucessivamente ao cartão amarelo.

Chegou tarde o golo para um Vitória em crescendo na segunda parte. O 3-1 não reabriu o jogo. Ainda assim, chegou a tempo de fazer o estádio entrar em ebulição.

E será esta outra das notas a reter do duelo da cidade-Berço. No sopé da Penha, às portas do Castelo, mora um grupo de irredutíveis vimaranenses com uma notável dedicação ao seu clube. E como arrepia ouvir «Sou Vitória» – versão vimaranense de um clássico de Rod Stewart – ecoar no Afonso Henriques antes do apito inicial. Depois disso, o Benfica marcou o tom do jogo. E saiu de Guimarães decidido a marcar o ritmo desta Liga.

Sérgio Pires / Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães