A FIGURA: Yaremchuk

«Mostrou no Euro a qualidade que tinha. Não foi o gémeo dele», dizia Jorge Jesus no rescaldo do jogo da última jornada (3-1 contra o Boavista), o sexto de oito jogos em que o ucraniano terminou em branco.

A verdade é que, a julgar pela amostra desta tarde, a confiança do técnico estava plenamente justificada. Hoje, Yaremchuk atacou a profundidade como o técnico lhe pediu e destruiu o débil eixo defensivo vitoriano. À primeira, esgueirou-se entre os centrais e picou a bola sobre Trmal, à segunda aproveitou um erro defensivo para passar a fatura do bis. E só não chegou ao hat-trick no quarto de hora final da primeira parte por manifesta falta de sorte.

Hoje, Yaremchuk marcou tantos golos como nos oito jogos anteriores pelo Benfica e deixou a confirmou a sua identidade como goleador: não, não é o seu irmão gémeo.

--

O MOMENTO: minuto 42. Desnorte vitoriano no meio do vendaval encarnado

Um quarto de hora de acerto de Yaremchuk e de absoluta desorientação da defensiva vitoriana: foi por aí que o resultado do jogo de Guimarães se começou a construir. Depois de aos 30 minutos ter rompido entre os centrais e picar a bola sobre Trmal, aos 42m, o ucraniano aproveitou um erro crasso de Borevkovic para bisar. Logo de seguida podia ter surgido o hat-trick e Darwin também teve hipótese de marcar. Podiam ter chegado à goleada antes do intervalo. Vendaval ofensivo encarnado? Também. Noutra perspetiva, foi igualmente um autêntico desnorte vimaranense.

--

OUTROS DESTAQUES:

Marcus Edwards

Foi o grande foco de perigo do Vitória. Sobre a esquerda, o jovem talento inglês deixou a cabeça em água a Lucas Veríssimo, obrigando Otamendi a ir à dobra muitas vezes. Combinou diversas vezes com Rafa Soares. Não fosse o desacerto de Estupiñán e a parceria podia ter dado frutos. Após o intervalo, contudo, mostrou-se também ele perdulário. O «penálti em andamento» que falhou logo no início da segunda parte podia ter reaberto o resultado.

Borevkovic e Mumin

Destaques, sim, mas pela negativa. Foi pela dupla de centrais que o castelo vimaranense começou a ruir. Mumin foi iludido no primeiro golo e Borevkovic inventou no segundo. Depois disso, o descalabro e a desorientação completa. A dupla desmoronou-se e o Benfica só não resolveu o jogo antes do intervalo por falta de pontaria.

--

Rafa

Rafa Silva, de cognome «O Acelerador». Quando o Benfica recupera a bola é sobretudo ele que coloca velocidade no jogo, colocando a defensiva adversária em sério risco. O melhor exemplo disso mesmo é o lance do terceiro golo, quando Rafa galga metros e serve João Mário, para o terceiro golo dos encarnados.

João Mário

Assustou quando pediu assistência alegadamente devido a um problema muscular, mas acabou por recuperar e foi determinante no resultado final. João Mário estreou-se a marcar pelo Benfica na Liga – depois de o ter feito frente ao Spartak de Moscovo, na 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões – e mostrou-se influente como de costume na gestão da posse de bola e a pautar o ritmo do jogo encarnado no meio-campo. Aliás, nesse aspeto, há também que destacar mais uma excelente exibição do seu companheiro de miolo: Weigl.

Lázaro

Em virtude da lesão de Diogo Gonçalves, o austríaco estreou-se a titular e no final do jogo teve nota positiva de Jorge Jesus. Acabou o jogo em perda física.

Sérgio Pires / Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães