De cara lavada, com a constância que Luís Castro pedia à partida e a acentuar o abono que D. Afonso Henriques tem dado. Uma entrada de rompante em jogo e três golos – válidos – em 36 minutos capitalizaram mais três pontos ao Vitória e agudizaram a luta do Desp. Chaves. Entre olhos na Europa e na permanência, saiu a ganhar quem vai mais acima.

A equipa de José Mota até entrou bem e o 2-0 aos 11 minutos só espelhava a diferença na eficácia. Os minhotos conquistaram o jogo pela pontaria a abrir e criaram apatia num Desp. Chaves permissivo a meio campo até ao intervalo. Não foi, assim, de estranhar o ímpeto atacante do Vitória na primeira parte, que teria o marcador quase decidido por Rochinha, que se estreou a titular e a marcar.

O autor do 3-0 foi a única mudança na equipa da casa, perante as três que José Mota operou nos azul-grená. Privado de um trinco de raiz, dadas as ausências de Jefferson e Filipe Melo, o Chaves mostrou-se algo perdido na construção ofensiva e na contenção à retaguarda. E custou caro. Muito caro.

Numa sequência de dois cantos, o cruzamento de Rafa Soares encontrou Guedes nas alturas e o desvio final de Wakaso para o fundo da baliza. O médio pôs fim a mais de oito meses sem marcar e abriu as contas. O árbitro João Capela ainda aguardou confirmação do VAR, mas considerou que o ténue toque de Guedes com o braço não tornou ilegal o lance.

Quatro minutos, um golo. Onze minutos, dois. Paulinho foi imprudente na área, travou Davidson e Tozé, com calma, enganou António Filipe para dobrar a diferença.

Tudo ficou mais fácil de gerir para um Vitória que, pelo meio, teve um Desp. Chaves atrevido no quarto de hora inicial. Luther Singh ainda obrigou Miguel Silva a trabalhos, enquanto os quatro cantos a favor em nada resultaram nesse período.

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Depois, Tozé fez uma delícia, mas um fora de jogo descortinado no início do lance, anulou um golaço ao médio do Vitória, à meia hora. Bastariam, no entanto, seis minutos para valer de novo: Guedes voltou a ganhar de cabeça, até o remate potente de Rochinha terminar no fundo das redes. Os transmontanos foram quase nulos até ao descanso, à exceção de uma tentativa de André Luís, travada por Miguel Silva.

A diferença só não foi maior ao intervalo porque Tozé viu António Filipe encaixar uma das melhores jogadas coletivas (40m) e porque o remate hábil de Rochinha beijou o ferro (45m).

A segunda parte foi de quase total gestão dos minhotos. A diferença permitia-o. O Desp. Chaves quase nunca incomodou Miguel Silva, tirando um remate de Luther Singh a fechar. Nessa altura, já Alexandre Guedes tinha assinado o nome na ficha dos marcadores, ao fixar o 4-0, a cruzamento de Mattheus (80m).

O Vitória geriu, Luís Castro lançou João Carlos Teixeira para ovação a Rochinha e permitiu o regresso de Florent à competição, quase quatro meses depois. Os flavienses ainda pediram um penálti por pretensa falta de Pedrão sobre William, mas Capela mandou levantar. O Vitória também levanta após uma exibição pobre nos Açores e iguala o Moreirense à condição, no quinto lugar. Quarto triunfo consecutivo no Berço, onde mora a defesa menos batida da Liga em casa.

Ricardo Jorge Castro / Estádio D. Afonso Henriques, Guimarães