O comboio europeu distancia-se cada vez mais da cidade berço. Entretido com o dérbi concelhio frente ao Moreirense, que terminou empatado (1-1), o V. Guimarães conquistou apenas um ponto na receção aos cónegos, somando o terceiro empate consecutivo após a retoma da Liga; vê o objetivo de chegar aos lugares europeus cada vez mais como uma miragem.

Num dérbi entretido e aberto Pepê adiantou a equipa de Ivo Vieira no marcador, na transformação de uma grande penalidade, mas a reação forte do Moreirense resultou no empate por intermédio de Gabrielzinho, emprestado pelo Rio Ave que impede o V. Guimarães de ultrapassar precisamente os vila-condenses na tabela classificativa.

Aparentemente menos cotado fisicamente nesta fase da época, os vimaranenses ainda esboçaram uma tentativa de reação ao empate, mais por impulso de que com qualidade, mas o Moreirense esteve sempre organizado e controlou o jogo, segurando o empate, ainda que continuando sem vencer no D. Afonso Henriques. em jogos do principal escalão do futebol português.

Castigo máximo depois dos holofotes entre os postes

Mateus Pasinato e Douglas começaram por ser os protagonistas maiores de um dérbi vimaranense que ameaçou ser prometedor. Os dois guarda-redes foram os primeiros a brilhar com defesas de grande nível, evitando que as redes abanassem logos nos instantes iniciais.

Primeiro foi Pasinato a fazer uma mancha enorme a negar o golo a Bruno Duarte. Depois foi Douglas, por duas vezes, a impedir Fábio Abreu de marcar. O atacante do Moreirense apareceu isolado mas permitiu a defesa para canto ao brasileiro do V. Guimarães, sendo que na sequência do canto a bola parecia encaminhar-se definitivamente para a baliza quando o guarda-redes voltou a brilhar, evitando o golo com uma sapatada.

Jogo aberto, mais iniciativa do Vitória com o Moreirense sempre à espreita para aproveitar qualquer oportunidade para sair de forma vertical para o ataque, o que foi conseguido. Entre vários lances promissores que acabaram com a bola a ir parar à bancada, o V. Guimarães adiantou-se no marcador na transformação de um castigo máximo.

Marcus Edwards serpenteou pela área, até parecia não estar enquadrado com a baliza, mas acabou derrubado por Iago, dando a Pepê a possibilidade de abrir o ativo. O médio não desperdiçou, apesar de Pasinato ainda ter tocado no esférico, e colocou o Vitória na frente do marcador.  

Reação enérgica dos cónegos

Fez pela vida o Moreirense e reagiu energicamente à desvantagem, entrando na segunda metade a procurar o golo. A supremacia foi, de tal ordem, evidente que se adivinhava o golo que acabou mesmo por acontecer aos 53 minutos. Gabrielzinho livrou-se de Pepê e, isolado, bateu Douglas. Bom golo do extremo que regressou ao onze.

Entre substituições, inclusive do árbitro assistente que demorou cinco minutos a ser substituído, e lesões, o jogo caiu muito de intensidade após a igualdade dos cónegos, acabando por não ter grandes motivos de interesse com o evoluir do cronómetro.

Tentou reagir o Vitória, ainda com mais a ganhar em termos de tabela classificativa do que o Moreirense, mas foi sempre uma reação por impulso, pouco cerebral e sem critério.

Veio ao de cima uma das principais características do Moreirense, a organização, sustendo com tranquilidade o ímpeto do Vitória de Guimarães e tentando lançar o contragolpe sem se expor em demasia. Acabou por conseguir cumprir a sua missão o conjunto de Ricardo Soares. Quatro épocas depois o Moreirense volta a marcar no D. Afonso Henriques, mas ainda não foi desta que venceu.

Terceiro empate consecutivo do V. Guimarães, que aparenta sair do confinamento com os índices físicos abaixo do esperado. Com uma exibição intermitente, o objetivo europeu fica comprometido.

Bruno José Ferreira / Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães