O Sp. Braga voltou aos triunfos em Guimarães, gelando um Estádio D. Afonso Henriques que prometia entrar em efervescência com quase 25 mil espectadores mas que acabou manietado pelo rival (0-2). Quarta vitória em cinco anos dos arsenalistas, que depois do empate da temporada passada voltaram a ser felizes na Cidade Berço.

Felizes como uma força de expressão, uma vez que o triunfo foi plenamente justificado e assente numa prestação muito competente perante o pior Vitória da época. Entre uma prestação para esquecer da equipa da casa e uma personalidade inabalável dos bracarenses, as diferenças à flor do relvado foram mais do que muitas.

Paulinho marcou o primeiro ainda na primeira metade, Galeno fechou a contagem na segunda e o Sp. Braga volta a vencer na Liga, impondo a primeira derrota caseira ao Vitória na presente edição da Liga. É difícil encontrar um lance de verdadeiro perigo da equipa de Ivo Vieira, um remate enquadrado com a baliza ou um cruzamento digno de registo.

Paulinho abre as hostilidades

O V. Guimarães entrou em campo com uma vantagem de quatro pontos para o rival mas após o apito inicial esse indicador esbateu-se por completo. Entrou nervoso o conjunto de Ivo Vieira, claramente rubricando a pior exibição da época e colocou-se a jeito para ser completamente manietado por um Sp. Braga muito mais regular.

Igual a sim mesmo, à boleia da inércia alheia, a equipa de Sá Pinto foi dona e senhora do jogo e cedo mostrou ao que vinha com Paulinho a deixar um primeiro aviso logo aos sete minutos com um cabeceamento forte mas ligeiramente ao lado. Douglas ainda evitou que Ricardo Horta marcasse três minutos depois com uma grande defesa mas adivinhava-se o golo arsenalista.

Aconteceu ao minuto 24 numa por intermédio de Paulinho numa altura em que o Vitória estava em inferioridade numérica, uma vez que Victor Garcia estava a ser assistido fora das quatro linhas. Cruzamento de Esgaio na direita, Paulinho encosta no coração da área com um remate seco que Douglas apenas conseguiu desviar ligeiramente.

Vantagem justificada do Sp. Braga, que ia sendo mais convicto, mais forte e mais equilibrado em todos os momentos do jogo, ao contrário do V. Guimarães que depois de jogar de peito feito frente ao Arsenal neste mesmo recinto acabou por falhar demasiado com bola, quase que se sentido mal com a posse do esférico.

Galeno carrega sentença

A correr atrás do prejuízo teria de fazer forçosamente mais o conjunto da casa, mas a realidade é que o V. Guimarães nunca se conseguiu encontrar e cometeu erros atrás de erros pelo receio que teve do adversário.

O Sp. Braga demonstrou outra personalidade, foi superior em todos os capítulos do jogo e com naturalidade chegou ao segundo no decorrer da segunda metade. Chegou até a dar a sensação que querendo acelerar os guerreiros teriam provocado mais mossa num castelo demasiado débil, descoordenado e sem rumo.

Galeno carregou a sentença do dérbi e ao minuto 71 deu então expressão à supremacia inequívoca da equipa de Sá Pinto. Remate de fora da área, nem precisou de ser com muita força, a passar por baixo de Douglas e a parar apenas no fundo das redes.

Bruno José Ferreira / Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães