O FC Porto goleou o Vitória de Setúbal (4-0) e colocou fim a uma série de duas derrotas seguidas. Repôs, portanto, a normalidade na era Sérgio Conceição, treinador que nunca tinha perdido dois jogos consecutivos.

Como o técnico dos portistas disse antes do jogo, clube e adeptos tinham de estar juntos. Logo desde o apito final, a assistência pareceu disposta a esquecer o afastamento da Liga dos Campeões. Dragões juntos, portanto.

O FC Porto teve chama, muita chama e asfixiou por completo o Vitória de Setúbal nos primeiros vinte minutos. Makaridze foi obrigado a tratar um cabeceamento de Zé Luís aos dois minutos. Logo depois, Alex Telles acertou de livre e Marcano falhou o que parecia um golo certo.

Adivinha-se o golo portista. Os sadinos pura e simplesmente não conseguiram sair do seu meio-campo com a bola controlada. A equipa de Sandro usou lançamentos longos várias vezes o lançamento longo à procura de Hachadi. Como Lillo e Guardiola gostam de dizer: «a bola que viaja rápido, regressa mais rápido».

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A lógica aplicou-se. Primeiro Díaz e depois Uribe impediram a saída de bola longa contrária. O extremo deu para Zé Luís que assinou um golaço de fora da área. A estratégia sadina ruiu em 12 minutos.

O passado recente obrigava o FC Porto a desconfiar de tudo e todos. Os portistas tinham de continuar a jogar em alta rotação, a pressionar alto e, acima de tudo, à procura de marcar. No entanto, o futebol é fértil em surpresas e acabou por ser o Vitória a estar perto do empate. Marchesín fez uma defesa incrível a remate de Hachadi e segurou a vantagem mínima (18m).

O 2-0 chegou dois minutos após a melhor oportunidade do conjunto de Sandro na primeira parte.

Uma jogada que teve como protagonistas um ítalo-brasileiro, um luso-brasileiro e um cabo-verdiano. Alex Telles cruzou, Pepe desviou e Zé Luís marcou «à peixinho» para o fundo da baliza de Makaridze.  Joga sem fronteiras, defendia o departamento de marketing do clube há dois anos, lembra-se?

Com o decorrer dos minutos o futebol ofensivo do FC Porto perdeu fluidez, mas conservou a intensidade. Continuou, naturalmente, a criar oportunidades. Makaridze parou uma bomba de Danilo e um disparo de Baró.

Os destaques do encontro

Ao intervalo as estatísticas revelavam o domínio avassalador dos portistas: 13 remates contra dois, quatro cantos contra nenhum e quase 70 por cento de posse de bola.

Sandro trocou o discreto Vilela por Carlinhos no arranque da etapa complementar. Todavia, a maior mudança do treinador do Vitória esteve relacionada com a postura da equipa. Os sadinos pressionaram mais alto, soltaram-se mais e tiveram mais tempo a bola. Por consequência, dispuseram da primeira situação para marcar, mas Marchesín defendeu o pontapé de Éber Bessa.

Porém, uma falha de Makaridze - a única que teve a sair de entre os postes - resultou no hat-trick de Zé Luís. Ou Zé golo, como o caro leitor preferir.

O Vitória caiu por completo e o FC Porto, sentindo o rival ferido, chegou à goleada no minuto seguinte. Zé Luís desmarcou Marega que cruzou para o golo do jovem Luis Díaz. 

Os vinte minutos finais deram para tudo. Conceição lançou Fábio Silva, concedeu uma saída em ombros a Zé Luís, poupou Marega e soltou o talento de Nakajima. O japonês, curiosamente, ficou a centímetros do 5-0.

Pese a troca ofensiva, o maior momento da reta final foi de Marchesín. O argentino merece um parágrafo só para ele por culpa da dupla-intervenção monstruosa que fez primeiro a pontapé de Hachadi e à recarga de Éber Bessa.

O único registo negativo da noite azul e branca foi o facto de Soares continuar o branco muito por culpa de uma defesa de Makaridze com os pés.

O FC Porto venceu, fez as pazes com os adeptos e deu sinais de melhorias antes da visita à Luz. O dragão parece estar junto - frase do clube para 2019/20 que Conceição elogiou na véspera - e pode começar a adoptar (por que razão não fazê-lo?) o lema reconquista. 

A decisão está nos pés dos portistas. Ah! E dos marketeers do clube.

Vítor Maia / Estádio do Dragão, Porto