Tensão alta, nervos à flor da pele, níveis de ansiedade elevadíssimos. Sentiu-se tudo isto durante os 90 minutos do V. Setúbal-Paços de Ferreira, partida importantíssima nas contas da permanência.

Uma extraordinária execução de Patrick aos 50 minutos na marcação de um livre deu aos sadinos uma das vitórias mais saborosas e importantes da época, que vale para já a saída da equipa de José Couceiro dos lugares de despromoção.

FILME E FICHA DE JOGO

Rasguemos os princípios do futebol positivo, jogado de régua e esquadro e com cabeça, tronco e membros. Isso não existiu no Bonfim neste domingo à tarde. A ordem era para vencer independentemente dos métodos (leia-se, legais) utilizados.

A bola queimou, sobretudo nos pés dos jogadores do Vitória, mais pressionados para somar os três pontos. Precipitação, passes primários falhados e falta de fluidez. A tal tensão referida no início da crónica manifestou-se em todos estes detalhes.

É justo dizer que a equipa da casa foi quem mais procurou a baliza contrária enquanto o nulo no marcador foi persistindo. Mas faltou frieza, discernimento e velocidade com bola, situação à qual é indissociável a ausência de João Amaral, um dos jogadores mais influentes dos sadinos e que começou a partida no banco.

Há pouco sumo que se espreme de uma primeira parte em que o Paços - ainda que parecesse quase sempre a equipa mais confortável com o empate que ameaçou perpetuar-se - até foi a equipa que esteve mais perto do golo, sobretudo em transições que terminaram com remates de Pedrinho e, depois, de Bruno Moreira, desenquadrados com os postes.

No regresso, o golo chegou de bola parada: tempo para respirar fundo e decidir com tempo, exercício aparentemente simples mas difícil de cumprir quando a hora mais negra se aproxima: Patrick afastou as nuvens com o primeiro golo ao serviço da equipa setubalenses e, até ver, o mais importante.

Em desvantagem no marcador, cabia aos pacenses assumir as despesas do jogo. Não reagiram de imediato mas conseguiram-no sobretudo após Edinho falhar o 2-0 aos 62 minutos. Empurrada para a frente por Assis e com o ataque mais povoado, a equipa de João Henriques aumentou os índices de agressividade, mas foi quase sempre incapaz de decidir bem no último terço e não conseguiu anular a vantagem sadina.

David Marques / Estádio do Bonfim, Setúbal