No meio deste novo e confrangedor silêncio do novo futebol escuta-se mais. O desabafo por um passe mal feito e a preocupação provocada pelo momento da equipa. Pelo momento – o do jogo – e pelo que se arrasta desde há tempos.

E o conforto que o V. Setúbal chegou a conquistar meritoriamente no campeonato tem-se esvaziado: dez jogos sem ganhar e a permanência segura por seis pontos. Talvez também por isso – mas também pelo ADN facilmente identificável, viu-se sempre um Rio Ave mais sereno e confiante em campo. No fundo, com os atributos que nunca podem faltar quando uma equipa se vê em desvantagem no marcador, como aconteceu ao conjunto orientado por Carlos Carvalhal, ainda que por pouco tempo.

FILME, FICHA DE JOGO E OS GOLOS

Quando o V. Setúbal ficou reduzido a dez, aos 54 minutos, a equipa de visitante já era de longe a melhor em campo, mas a expulsão de Zequinha deitou por terra a estratégia que os visitantes obrigaram os sadinos a adotar desde cedo: constantemente empurrada para o meio-campo defensivo e voltada para a velocidade dos extremos.

A equipa sadina esteve dois minutos em vantagem. Éber Bessa roubou a bola a Rúben Gonçalves, rematou para defesa de Kieszek e, na recarga, Guedes marcou à antiga equipa. Resultado inflacionado para os homens de Julio Velázquez e a verdade rapidamente reposta por Taremi. O avançado iraniano foi derrubado por Makaridze e converteu com frieza o castigo máximo.

Com muita posse de bola, o Rio Ave cercava a área sadina. Lateralizações, passes para as costas dos centrais, muitas vezes posicionados em cima da grande área e muita paciência. Diego Lopes e Taremi dispuseram de duas excelentes ocasiões para virar o jogo ainda na primeira parte.

O Vitória, que ficaria reduzido a dez na segunda parte após entrada dura de Zequinha sobre Carlos Mané, já havia tido uma contrariedade, com a lesão de Makaridze aos 45 minutos, rendido pelo estreante e ex-Louletano Lucas Paes. O Rio Ave, que entrou para a segunda parte também com uma alteração – Matheus Reis entrou para o lugar de Nélson Monte – sufocou os sadinos até ao golo.

À equipa da casa, cada vez mais curta, restava-lhe cerrar os dentes e resistir ao assalto. Num claro reconhecimento das maiores dificuldades que se avizinhavam, Velázquez reforçou a defesa com João Meira e preparou a equipa para a resistência.

Carvalhal colocou mais homens na frente. Primeiro Gelson Dala; depois Bruno Moreira. E chegou ao merecido golo através do primeiro ao minuto 80. Resistência sadina quebrada e um jogo diferente a partir daí.

O Vitória procurou resgatar um ponto num cenário adverso. Ficou exposto ao xeque-mate, que os visitantes nunca deixaram de procurar. Talvez por isso também tenham corrido riscos desnecessários. Já em tempo de descontos, Hachadi quase encontrou o caminho do empate para os sadinos.

O Rio Ave chega-se aos 44 pontos e cola-se provisoriamente ao Famalicão. O sonho europeu ganha força para esta bela equipa vila-condense.

David Marques / Estádio do Bonfim, Setúbal