Ah, a frieza nórdica!

Que jeito teria dado a Portugal um pouco do gelo que enche as ruas de Trondheim por estes dias.

A jogar perante a vice-campeã do mundo, Portugal cometeu erros que se pagam caro a este nível e parte para a segunda fase com zero pontos, enquanto a Noruega leva dois.

A equipa da casa venceu por 34-28, numa partida em que os jogadores portugueses tiveram demasiadas escorregadelas em momentos cruciais… e jogava com verdadeiros blocos de gelo inquebráveis em termos emocionais.

Quase sempre a correr atrás

Apesar de partirem para a última jornada ambas apuradas para a fase seguinte, Portugal e Noruega jogavam muito no terceiro jogo do grupo D.

Isto, porque a equipa que vencesse sabia que seguiria para a main roun com os pontos somados nesta partida, enquanto a outra começaria do zero essa mesma fase.

A equipa da casa, a jogar com o apoio de quase 9.000 pessoas começou melhor a partida, com Portugal a encontrar enormes dificuldades em penetrar na defesa norueguesa nos primeiros minutos.

Tanto que Paulo Jorge Pereira não demorou muito a apostar no 7x6 ofensivo, o que resultou, tal como o contra-ataque, sempre que a equipa portuguesa conseguiu travar o ataque do conjunto nórdico.

Essa foi, de resto, a arma que permitiu a Portugal passar para a frente, perto dos 10m, graças aos golos de Salina e Portela, ambos em contra-ataque.

FILME DO JOGO

Só que a partir desse momento, a defesa lusa começou a sentir muitas dificuldades em travar Sagosen e companhia, facto que se explica em parte pelas várias exclusões à equipa portuguesa.

E com isso, a Noruega disparou no marcador e conseguiu uma vantagem de quatro golos que foi gerindo até ao intervalo, apesar da boa reação lusa que perdia 14-16 no descanso.

(Re)entrada em falso

Apesar da boa ponta final da primeira parte, a reentrada no segundo tempo matou as aspirações lusas a mudar-se de Trondheim para Malmo com dois pontos somados.

Um parcial de 6-1 para a Noruega desconcentrou a equipa, que esbarrou depois na enorme exibição de Bergerud na baliza, apesar das várias situações de remates aos seis metros que Portugal conseguiu.

Antes dos dez minutos da primeira parte a diferença era de sete golos (22-15) e Portugal foi claramente abaixo em termos anímicos.

Até porque estava a Noruega estava a ser empurrada por quase 9.000 vozes incansáveis que proporcionaram um ambiente incrível na despedida deste Europeu de Trondheim.

Quem por cá se vai manter é Portugal, que agora se muda para Malmo, sabendo que irá defrontar a Suécia, a Eslovénia e Islândia. Falta saber qual será o outro, entre Dinamarca e Hungria.

E o balanço que se faz daquilo que a equipa de Paulo Jorge Pereira leva de Trondheim tem de ser muito positivo. Além do apuramento, com triunfos sobre a França e a Bósnia, há bons sinais a retirar desta partida com a Norueguesa.

Tem é de haver maior frieza. Porque se o nível já estava alto, passa a estar altíssimo na fase que se segue.

Mas também ainda há margem para esta equipa crescer. E esse é apenas um dos bons sinais que viajam da Noruega para a Suécia.

[artigo atualizado]

Adérito Esteves / enviado especial a Trondheim, Noruega