Heróis do mar. Equipa valente. Feito imortal.

A seleção portuguesa de andebol escreveu história nesta quarta-feira.

A vitória por oito golos frente à Hungria garantiu desde logo a melhor classificação portuguesa de sempre num Europeu de andebol.

Mas fez mais: ao assegurar a classificação para o jogo de apuramento do 5.º e 6.º lugares, a equipa orientada por Paulo Jorge Pereira carimbou também a presença no torneio pré-olímpico.

Revolução mental em menos de 24 horas

A seleção de Portugal entrou em campo menos de 24 horas depois da desilusão frente à Eslovénia, que a afastara das meias finais do Europeu.

Mas diante da Hungria não se viu ponta de sinal dessa derrota. A equipa portuguesa entrou de cabeça limpa, não se enervou por ter andado quase 15 minutos atrás do resultado e a partir do momento em que passou para a frente, só por duas vezes permitiu que a Hungria empatasse a partida.

Na base do triunfo, é preciso dizer, houve muito dedo do selecionador português. Paulo Jorge Pereira surpreendeu ao apostar desde o primeiro minuto no 7x6 ofensivo. E o adversário claramente não estava à espera de ter de lidar com isso logo no arranque da partida.

O FILME DO JOGO.

Portugal marcou em quase todos os ataques nos primeiros minutos, mas demorou um pouco mais a acertar na defesa. A equipa teve grandes dificuldades em travar o gigante Banhidi, pivô de 2.10m e mais de 100 quilos e o lateral direito Balogh, que chegaram ao intervalo com quatro golos cada um.

Era, contudo, a seleção lusa que vencia no final da primeira parte, por 16-14, apesar de ter chegado a ter vantagem de três golos.

Andebol do mais alto nível de regresso

Na segunda parte Portugal corrigiu claramente aquilo que correra menos bem no primeiro tempo. Sinal claro disso é que os dois artilheiros magiares da primeira parte apenas marcaram um golo cada.

A acompanhar esse acerto defensivo, há que destacar o ataque português. Já sem o 7x6, a equipa portuguesa voltou a apresentar o andebol que tem encantado a Europa.

Circulação de bola rápida e ataques que permitiram encontrar sempre espaço na defesa húngara, com os pivôs a marcarem sete dos 18 golos portugueses na segunda parte.

É de Alexis Borges, aliás, o golo que dá a Portugal a primeira vantagem de cinco golos (47m). A tal que garantia o apuramento direto e afastava a necessidade de mais contas.

E aos cinco seguiram-se seis. Depois sete. Até aos oito. Depois de chegar à vantagem necessária para decidir já o resultado histórico, nunca mais a seleção portuguesa voltou a estar em posição de depender de terceiros.

Fê-lo diante de uma equipa que em caso de vitória ficava muito próxima de se apurar para as meias finais. E isso torna a vitória portuguesa ainda maior.

A equipa batizada como ‘Heróis do mar’ viajou para o Norte da Europa, fez-se cubo de gelo no momento crucial e já sabe que vai levar da Escandinávia o melhor resultado de sempre.

Depois de Trondheim e Malmo, segue-se Estocolmo. É lá que se vão estar as seis melhores equipas da Europa. Portugal incluído.

Um feito imortal. Mas só até ser batido novamente. E atenção que esta geração do andebol português parece talhada para tornar exequível o que é visto como impossível.

Veja o resumo da partida:

Adérito Esteves / enviado especial a Malmo, Suécia