Dream. Win. Remember.

O slogan deste Europeu 2020 de andebol vai ficar colado na história do andebol português.

Sonhar. Vencer. Recordar.

A entrada de Portugal no Euro, frente à TO-DA-PO-DE-RO-SA-FRAN-ÇA, foi de sonho. Uma vitória para nunca mais esquecer.

No regresso a uma grande competição, 14 anos depois da última presença, e frente à equipa que era apontada por muitos como a principal candidata ao título, Portugal venceu por 25-28.

E mais do que vencer, é importante dizer que esteve mais tempo em vantagem do que aquele que passou atrás do marcador, o que torna ainda mais convincente o triunfo.

Isto, apesar de uma entrada algo nervosa na partida, que levou Paulo Jorge Pereira a pedir um time-out aos 10 minutos de jogo, com o resultado em 6-3 para os gauleses.

E é preciso dizer: se são os jogadores dentro de campo que vencem os jogos, essa ação do selecionador português foi fundamental.

Porque nesse minutinho, foram feitas correções defensivas que embalaram Portugal para um período de controlo quase absoluto do fortíssimo ataque francês.

E a verdade é que à entrada dos últimos dez minutos da primeira parte Portugal vencia por três golos de diferença (12-9), com André Gomes em destaque a mostrar-se imparável no ataque.

Um momento de desconcentração no último minuto, porém, fez com que aparecesse no jogo Nikola Karabatic, a marcar dois golos no espaço de poucos segundos e a colocar o marcador em 11-12 ao intervalo.

Isto vai mesmo acontecer outra vez?

Apesar da vantagem, Paulo Jorge Pereira não estava totalmente satisfeito com o que via. Ou isso, ou decidiu surpreender no início da segunda parte.

Vai daí, mudou o sistema defensivo inicial – um 6x0, ainda que pressionante – para um 5x1, muito agressivo sobre o portador da bola.

Com esse sistema, Portugal mostrou uma das principais facetas: a solidariedade entre os jogadores. É que essa forma de defender obrigava todos a correrem mais na defesa para ir nas ajudas.

A seleção francesa ainda conseguiu passar para a frente do marcador dentro dos primeiros dez minutos da segunda parte, mas a coesão defensiva portuguesa – e um enorme Quintana, é preciso dizê-lo – fizeram uma das melhores equipas de sempre do andebol mundial começar a enervar-se e perder discernimento.

E aí, a (inexperiente, não era) seleção portuguesa foi com tudo atrás da vitória, pontualmente, a arriscar o 7x6 ofensivo.

O segredo nacional continuava, porém na defesa, que valeu um, dois, três golos de contra-ataque. E numa valentia que conquistou o público norueguês, que passou grande parte da segunda parte a puxar pela equipa lusa.

E quando, à entrada dos dois minutos finais, com Portugal em vantagem, a equipa francesa perdeu a cabeça de vez e viu dois jogadores excluídos no espaço de poucos segundos.

«Isto vai mesmo acontecer outra vez, não vai?» Só aí voltou à memória de todos a vitória portuguesa contra a França na qualificação para este Europeu, em Guimarães.

E é verdade. Voltou a acontecer, mas desta vez com maior estrondo ainda.

Porque o mundo todo viu o que estava a acontecer em Trondheim. A forma brava como Portugal vergou a França.

Sabe aquela coisa do ‘déjà vu’ ser uma imagem que lhe vem de um sonho?

Esqueça. Este, pelo menos não é um sonho.

É a realidade. Mas pode ser o início de algo grandioso.

Adérito Esteves / enviado especial a Trondheim, Noruega