No primeiro jogo de uma importante jornada dupla para as aspirações da equipa de Rui Jorge em estar no Europeu, Portugal entrou sem margem de erro... e sem ponta de piedade da frágil equipa do Liechtenstein, num jogo que mudou aos cinco e acabou aos sete. Uma chuva de golos que aqueceu um fria e chuvoso final de tarde em Tondela.

E a verdade é que o 7-0 final mostra apenas uma pequena parte das enormes diferenças que existiram entre as duas equipas, num jogo em que Diogo Gonçalves brilhou com três golos, tendo sido bem acompanhado de João Carvalho que bisou, sendo responsável por uma obra de arte digna de se ver em repeat

Mas na crónica deste jogo, há dois pontos prévios a ter em conta: a fragilidade da equipa do Liechtenstein e, apesar disso, a seriedade total com que os jogadores de Rui Jorge encararam a partida e não facilitaram, mesmo depois de terem construído uma vantagem confortável, muito cedo.

Aliás, logo nos primeiros instantes da partida, perceberam-se as palavras de Rui Jorge que, na antevisão à partida defendera que o Liechtenstein é a equipa mais fraca do grupo. Desde o apito inicial remetido ao seu meio-campo defensivo e com os onze jogadores a defender atrás da bola, nem assim os homens que viajaram do pequeno país do centro da Europa conseguiu aguentar o nulo mais do que oito minutos.

De livre direto, Diogo Gonçalves marcou o primeiro dos três golos que anotou na tarde fria de Tondela e apontou o caminho para um jogo que «parecia um treino», como não se cansou de repetir um jovem adepto sentado junto à bancada da comunicação social, conforme o resultado se ia avolumando.

É que depois de aberto o marcador, houve facilidade para tudo. João Carvalho fez o 2-0 de grande penalidade aos 10', Xadas marcou o terceiro após passe de Heriberto, aos 26, e Diogo Gonçalves bisou, aos 31, chegando fazendo o 4-0 após cruzamento de Dalot.

O que é isso, oh João?!

E depois chegou o quinto, mesmo a fechar a 1.ª parte, mas esse, de autoria de João Carvalho, merece um párágrafo só para ele – se não viu, procure-o porque não se vai arrepender. É difícil traduzir em palavras, mas vamos dar o nosso melhor, para dar uma ideia do que foi o golo do capitão nacional. Ora, tudo começa num cruzamento da esquerda que Carvalho recebe de peito na pequena área, perante a pressão (?) de um central, o camisola 10 dá um toque que o tira do lance e depois, sempre sem deixar a bola tocar no chão, encosta para o golo. Um monumento, acredite.

No segundo tempo os jovens portugueses continuaram a carregar, talvez tenham complicado um pouco na busca de jogadas vistosas, mas a verdade é que ampliaram a vantagem, sem grande dificuldade, novamente com Diogo Gonçalves em destaque.

O extremo do Benfica chegou ao hat-trick aos 67', respondendo de cabeça a um cruzamento do recém entrado Rafale Leão e depois fez a jogada que resultou no 7-0 e permitiu a João Félix estrear-se a marcar pelos sub-21 portugueses.

Enfim, tratou-se de um passeio à chuva que serve para dar confiança para um expectável jogo mais complicado diante da Suiça, e para dar folga à diferença de golos, ou não tivesse Portugal marcado mais neste jogo do que fizera nas quatro jornadas anteriores (seis).

Adérito Esteves / Estádio João Cardoso, Tondela