O histórico socialista Manuel Alegre considerou, esta segunda-feira, que Mário Soares "não desaparece", porque o antigo Presidente da República ficará na memória de todos os que prezam os valores da liberdade, democracia, justiça social e tolerância.

Ele [Mário Soares] não desaparece, ele fica na memória, na nossa e na memória do povo português e de todos aqueles que prezam os valores que ele ajudou a implantar no país, a liberdade, a democracia, a justiça social e a tolerância", afirmou Manuel Alegre, em declarações aos jornalistas à saída do Mosteiro dos Jerónimos, onde pelas 13:00 chegou o corpo de Mário Soares.

Sublinhando que nunca se está preparado para o desaparecimento de "alguém que nos é querido", o histórico socialista disse que a morte de Mário Soares representa o fechar de um ciclo, mas também o início de outro, porque "os horizontes da liberdade são horizontes abertos".

Manuel Alegre referiu ainda a necessidade de transmitir a memória de Mário Soares, porque os mais jovens nunca viram o antigo Presidente da República "na plenitude da sua atividade política".

É preciso contar-lhes o que foi a sua luta pela resistência, as prisões que sofreu, a deportação a que foi sujeito por ordem de Salazar, o exílio, depois o regresso, os combates que travou aqui para defender de novo a liberdade. Toda a vida dele que foi uma vida de combate, de grande combate, grande determinação e sobretudo coragem", disse, acrescentando que o legado de Mário Soares se confunde com a história da luta pela democracia e com a história do PS.

"Fomos amigos, como irmãos até ao fim. Às vezes entre irmãos há sarilhos que depois se resolvem", referiu Manuel Alegre, que assistiu à chegada da urna aos Jerónimos acompanhado pelo presidente do PS, Carlos César, e pelo deputado Miranda Calha.

A deputada Gabriela Canavilhas e a mãe do primeiro-ministro António Costa, Maria Antónia Palla, foram outras as personalidades que já passaram ao início da tarde pelos Jerónimos

Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

O Governo português decretou três dias de luto nacional, até quarta-feira.

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