Há produtos de marca que estão a ponderar sair do mercado nacional se as condições concorrenciais se mantiverem como agora. Quem o diz é a Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca (Centromarca), que representa 800 marcas presentes no mercado nacional.

O alvo das queixas é novamente a grande distribuição e os produtos de marca própria que representam já um terço do total do mercado.

«Face ao decréscimo do consumo, a distribuição iniciou uma guerra de preços. A distribuição compensa preços baixos das marcas brancas, com preços mais elevados das grandes marcas», disse aos jornalistas a directora-geral da Centromarca, Beatriz Imperatori.

Marcas acusam distribuição de demorarem a pagar

As marcas queixam-se que, além de ser cada vez mais caro ter um produto numa superfície comercial, há cada vez menos espaço para figurarem face aos produtos de marca própria.

Além de se considerarem «a alavanca de crescimento das marcas brancas», os produtos de marca dizem ainda que têm a vida complicada quanto à sua posição nas prateleiras.

Do total de associados da Centromarca, menos de 5 por cento do total do seu volume de negócios, provêm das marcas próprias. «A maioria das marcas brancas não são produzidas pelas grandes marcas. Muitos produtos até vêm lá de fora. Há casos em que são formas de escoarem excedentes de produção de outros mercados, como Espanha», acusa Beatriz Imperatori.

Concorrência tem de ser rápida a investigar

Perante as várias razões de queixa, nomeadamente ao nível de concorrência desleal, as marcas apelam à Autoridade da Concorrência que investigue o sector: «Agora que já existem queixas, esperemos que as coisas sejam avaliadas», acrescentou a directora-geral da Centromarca.

«Espero que não demore seis meses», sublinhou.

Beatriz Imperatori acrescentou que as 800 marcas que a associação representa «continuam a acreditar que estar no mercado é possível» e explicam que só se pede que «as mesmas regras sejam aplicadas a todos».

«Estamos cá para trabalhar e dar valor para o consumidor. O nosso caminho não é fazer guerras. O nosso primeiro objectivo é dialogar», acrescentou.

As empresas associadas da Centromarca têm um volume de vendas de 6 mil milhões de euros e empregam 12.500 pessoas em Portugal.

APED nega que maioria das empresas se atrasem a pagar
Rui Pedro Vieira