O atual Presidente da República surge em 2021 destacadíssimo para a reeleição, como os quatro chefes de Estado anteriores em democracia, a larga distância de um pelotão de seis concorrentes de áreas políticas e com objetivos eleitorais diversos.

Em todas as sondagens, Marcelo Rebelo de Sousa mantém enorme popularidade e índice de aprovação da maioria dos portugueses, prevendo-se novo triunfo à primeira volta no sufrágio de 24 de janeiro, mas resta saber se fica na História como recordista absoluto à frente do socialista Mário Soares, eleito em 1991 com 70,35% dos votos (3.459.521), embora na altura a abstenção se ficasse por 38%.

O constitucionalista e antigo líder do PSD, aos 72 anos e apoiado por sociais-democratas e CDS-PP, vai manter-se em funções, pelo menos, até 09 de março, gozando da notoriedade de décadas de mediatismo e da interpretação muito ativa do exercício do mais alto cargo da nação.

O ex-analista político, que obteve 52% dos votos em 2016, já declarou querer fazer “uma campanha pela positiva”, sem atacar os concorrentes, e anunciou o mais baixo orçamento de entre os que são conhecidos até agora para a tradicional “Volta a Portugal” em campanha oficial, entre 10 e 22 de janeiro: 25 mil euros.

Bem atrás do “todo-o-terreno” Marcelo, surge um sexteto encabeçado, segundo os estudos de opinião, pela diplomata e ex-eurodeputada socialista Ana Gomes, 66 anos, a personificar o “socialismo democrático”, mesmo sem o respaldo oficial do Largo do Rato, cuja cúpula optou por dar liberdade de voto aos militantes.

Porém, a antiga embaixadora portuguesa em Jacarta, que conta gastar 50 mil euros, recebeu incentivos do histórico Manuel Alegre, do antigo parlamentar europeu Francisco Assis, do ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, do secretário de Estados dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro, e os apoios do esquerdista Livre e do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN).

Um dos grandes pontos de interesse destas Presidenciais2021, se não o maior, vai ser a disputa do segundo posto do pódio, e é o ex-PSD, fundador e presidente do nacional-populista Chega quem surge mais bem colocado, segundo as sondagens, no desafio a Ana Gomes: o jurista André Ventura, 37 anos.

O deputado único da recém-formada força política da extrema-direita parlamentar, com um orçamento de 160 mil euros, estabeleceu como meta conseguir ser apurado para uma hipotética segunda volta, frente a Marcelo Rebelo de Sousa, e prometeu mesmo demitir-se da direção nacional do partido se Ana Gomes ficar à sua frente na corrida.

A “pedalar”, no mínimo, para publicitar “as camisolas” e agitar as bandeiras de PCP e BE, ou seja, tentar conservar os eleitores habituais, surgem os eurodeputados João Ferreira e Marisa Matias, respetivamente.

O biólogo de 42 anos e também vereador da Câmara Municipal de Lisboa foi recentemente promovido à cúpula dirigente restrita da Soeiro Pereira Gomes e está entre os mais falados pelos militantes para suceder ao empático secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa.

A estrada e o resultado final serão a “prova de fogo” de João Ferreira, já experimentado em campanhas europeias e autárquicas. A máquina e o aparelho comunistas apostaram o maior orçamento divulgado até agora: 450 mil euros.

Marisa Matias, de 44 anos, socióloga e membro da Mesa Nacional bloquista, tem a árdua tarefa de não derrubar a alta fasquia de há cinco anos, quando se tornou a mulher mais votada de sempre numa eleição para o Palácio de Belém: terceiro lugar, com 10% dos votos, e a confiança de perto de meio milhão de eleitores.

Outro fenómeno recente e desafiador dos partidos tradicionais do regime democrático como o de Ventura é o da candidatura da Iniciativa Liberal: o advogado de 43 anos Tiago Mayan Gonçalves, apostado em combater “populistas, socialistas e extremistas”, com despesas previstas de 40 mil euros.

O terceiro candidato repetente de 2016, além de Marcelo e Marisa, é o calceteiro “Tino de Rans”, ex-autarca socialista daquela freguesia de Penafiel, com 49 anos e cujos 152.374 votos obtidos então em nada são despiciendos.

“Portugal com Tino” é o lema de mais um “sprinter”, agora presidente do partido RIR (Reagir, Incluir, Reciclar), e com o qual vai tentar captar alguma parte da grande franja de eleitores que não se reconhece nos discursos dos ditos “políticos do costume” e que, por norma, se fica pela abstenção.

Nas últimas cinco “corridas” presidenciais, registaram-se abstenções de 34%, 50%, 39%, 54% e 51%, respetivamente em 1996, 2001, 2006, 2011 e 2016. Em 2001 e em 2011, o aumento dos abstencionistas pode ser justificado com o facto de estarem em causa como que plebiscitos dos chefes de Estado em exercício: Jorge Sampaio e Cavaco Silva, ambos reeleitos.

/ CE