Maria Castello Branco, cabeça de lista do Iniciativa Liberal por Castelo Branco, tem apenas 20 anos e já anda “nesta vida” da política desde os 16. Mas, o bichinho pela “cidadania ativa” nasceu quando tinha oito anos e decidiu escrever uma carta a Durão Barroso e obteve resposta.

“Os meus pais sempre me incentivaram muito à cidadania ativa. Em pequenina, aos oito anos, o primeiro movimento que tive, foi escrever uma carta ao Durão Barroso porque, na altura, queria muito que se fizesse alguma coisa em relação aos sacos de plástico na europa. Foi muito giro porque me responderam, em que me disseram que sim, mas que ainda estavam a fazer estudos. E eu acho que foi a partir daí que pensei: “bem, vale mesmo a pena. Nós não estamos aqui só para ser mandados. Podemos fazer alguma coisa”. Ficou aqui o bichinho”, conta Maria.

Bichinho esse que, aos 16 anos, a fez perceber que fazer a diferença “não estava assim tão distante” como as pessoas costumam pensar. Por isso mesmo, aos 16 anos acabou por se juntar à Juventude Popular do CDS-PP.

“Mas depressa percebi que não era por aí o caminho, pelo menos para mim. Havia espaço para mim, sim, liberal, dentro da JP, mas eu não achei que fosse esse o caminho. Saí da atividade política e encontrei a Iniciativa Liberal e foi uma espécie de amor à primeira vista".

Maria Castello Branco (ao centro, de casaco castanho) no arranque da campanha em Guimarães

Para a jovem, que sempre teve “pretensões de ter uma cidadania ativa e de fazer alguma coisa pelo nosso país e não só”, o partido fundado em 2017 acabou por ser o caminho para com “os jovens, contrariar este relógio da política que está muito antigo”.

“Alguns jovens, a maior parte, estão fartos porque são pessoas já muito antigas na política que falam por eles e pela geração deles. Falta a nossa geração a falar na política e a ter voz”.

Enérgica, Maria acabaria por se tornar na cabeça de lista do concelho que lhe aquece o coração e que lhe “dá” o apelido. E nem o facto de ter apenas 20 anos a assusta. Para a jovem que nasceu em Lisboa, mas que se vê como filha da terra em Castelo Branco, ser jovem é uma “vantagem tremenda” pela qual se sente muito honrada.

“Sinto-me muito honrada de logo aos 20 anos ter a oportunidade de liderar uma lista as legislativas. Acho que é muita responsabilidade, mas também muito orgulho de representar a região a que pertenço. Identifico-me muito e gosto muito de estar a representar a minha região”.

“Podemos fazer muita diferença”

Desengane-se quem pensa que os jovens são todos distraídos no que à política diz respeito. Tal como diz Maria, “as generalizações são perigosas” e ela própria é a prova disso.

Quando a questionamos sobre como é que o programa eleitoral do partido se diferencia dos outros, a jovem é rápida e assertiva na resposta.

“Conseguimos no programa eleitoral, medidas que eu gosto muito: alargamento da ADSE a todos os portugueses - acabar com este sistema de um país de dois sistemas, porque parece que há cidadãos de segunda e que se reflete também a nível de taxa única de IRS, liberdade de escolha também na educação porque acho que as nossas bandeiras passam sempre por liberação e liberdade de escolha e mais responsabilização dos cidadãos. Acho que podemos fazer muita diferença”.

E já que falamos de educação e que essa é uma das grandes bandeiras do partido – que defende, por exemplo, que os pais devem poder escolher livremente a escola onde querem que os filhos estudem sem estarem limitados pela morada – Maria lembra ainda as condições dos professores da escola pública.

“A condição dos professores nas escolas públicas é inimaginável. Ser colocado todos os anos a 400 quilómetros de casa, não saber onde é que vai morar, isto desmotiva os professores. As condições de trabalho dos professores não são dignas e é mais uma demonstração das falências do nosso estado de há 40 anos para cá que tem vindo a demonstrar sinais de estar obsoleto e de precisar de alternativa”.

Já quanto ao tema que tem marcado o ano e também a campanha às legislativas, o ambiente, Maria é taxativa: “as mudanças não podem ser impostas”.

“Mais do que querer impor alguma coisa às pessoas, como alguns partidos que têm preocupações ambientais querem fazer, de proibir as pessoas de fazer x ou de impor um estilo de vida a alguém, acho que as nossas medidas passam mais por responsabilização e liberdade. Sempre disse que os cidadãos podem fazer a diferença”.

E traz, de novo, à conversa, a Maria de oito anos que escreveu uma carta a Durão Barroso porque estava preocupada com os sacos plásticos.

“Esta questão da carta aos oito anos é porque me preocupava realmente. Vemos nos países do norte da Europa, que têm políticas em relação a isso, mas não é por causa delas que o mercado agora é muito mais orgânico ou biológico. A escolha dos cidadãos e consumidores afetam muito. Prevemos “taxas verdes” e acho que fazemos a diferença aí. Não queremos proibir ou forçar nada a ninguém, mas queremos consciencializar. Acho que passa pelos cidadãos e não pelo Governo”.

Andreia Miranda