A magistrada Maria José Morgado afirmou, esta quinta-feira, que o financiamento das campanhas partidárias é uma «porta aberta para a instabilidade política», uma vez que os partidos podem tornar-se reféns de quem comparticipa, informa a Agência Lusa.

A coordenadora do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) falava no IV Colóquio Europeu de Psicologia e Ética, promovido pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), subordinado ao tema «Psicologia e Direitos Humanos».

«A corrupção prejudica cada um de nós, enquanto contribuintes» e «cria instabilidade política», afirmou a magistrada, dando como exemplo o financiamento das campanhas partidárias.

Maria José Morgado afirmou que os partidos podem ver-se obrigados a dar «alguma contrapartida a quem contribuiu com uma certa doação», considerando que esta situação é uma «porta aberta para a instabilidade política».

O partido pode ficar «dominado por forças invisíveis devido a um financiamento opaco e sem regras», sustentou.

A magistrada sublinhou que prevenir e combater a corrupção deve ser prioridade da política criminal e defendeu que devia haver um reforço da protecção dos denunciantes deste crime e das testemunhas vulneráveis.

«Todas as denúncias vêm do submundo opaco e velado» e se não for dada uma compensação legal, as pessoas não falam, afirmou.

Para Maria José Morgado, tem havido uma «anemia política» em relação aos «males causados pela corrupção e crime económico», mas que está a mudar.

Para isso, contribuiu a crise financeira que deixou a descoberto estas «más práticas» e levou a classe politica a querer combater estas situações.