O presidente do organismo regulador dos media disse esta terça-feira que já foram feitas quatro audições a propósito da investigação a alegadas interferências do poder político na comunicação social, estando já agendadas mais duas para Janeiro.

Segundo José Azeredo Lopes, que foi ouvido em comissão parlamentar, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) já ouviu os depoimentos de vários accionistas do jornal, entre os quais o director e o subdirector do semanário Sol, José António Saraiva e Mário Ramirez, o vice-presidente do BCP, Paulo Macedo, e o empresário Fortunato de Almeida.

Para o início de Janeiro estão agendadas audições ao director adjunto do mesmo jornal José António Lima e ao empresário Joaquim Coimbra.

Os depoimentos estão a ser feitos no âmbito do processo sobre alegadas interferências do Governo em alguns órgãos de comunicação social e, nomadamente no Sol, denunciadas por José António Saraiva à revista Sábado.

«Uma pessoa do círculo próximo do primeiro-ministro e que conhecia muito bem a situação do jornal e a nossa relação com o banco BCP disse-nos que os nossos problemas ficariam resolvidos se não publicássemos a segunda notícia do Freeport», disse o responsável citado pela revista.

A ERC decidiu então abrir um processo «no uso das suas atribuições e competências (...) tendo como objectivo apurar elementos relativos à situação denunciada publicamente pelo director do jornal Sol», referiu o organismo.

Mas não são só a alegada interferência do poder político nos media que está a ser alvo de investigação pela ERC. Também a influência do poder económico levou o organismo regulador a pedir depoimentos, neste caso à jornalista da TVI Manuela Moura Guedes e ao ex-director-geral daquela estação, José Eduardo Moniz.

«A data das audições dependerá da disponibilidade das pessoas», adiantou José Azeredo Lopes à margem da sua audição na comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura.

Os dois jornalistas serão ouvidos na sequência da suspensão em Setembro do «Jornal de Sexta» da TVI pela administração da Media Capital, um dia antes de o programa, habitualmente apresentado por Manuela Moura Guedes, divulgar novos dados sobre o caso Freeport.

O caso levou a direcção do canal a demitir-se enquanto a redacção considerava a questão como um «atentado à liberdade de imprensa» e José Eduardo Moniz, já fora da estação, afirmava tratar-se de um «escândalo».

Na altura, o próprio presidente da ERC qualificou o caso como «absolutamente inaceitável».

Os dois casos em investigação não têm ainda data para conclusão, já que, como referiu Azeredo Lopes, são «processos muito morosos».
Redação / JF