O presidente do Chega discursou esta quarta-feira no Movimento Europa e Liberdade (MEL), evento que reúne os mais diferentes quadrantes da direita portuguesa, e que se realiza pela terceira vez. Num discurso marcado por uma divisão entre direita e esquerda, André Ventura olhou para dentro para pedir um ataque para fora.

Virando-se diretamente para a audiência, e criticando o excesso de "cordialidade" perante as falhas da esquerda, André Ventura diz que o contrário não aconteceu, e que a esquerda foi esmagando os "casos" da direita, como os submarinos ou a Segurança Social.

Mas o presidente do Chega foi mais longe, e afirmou que "a culpa da direita não estar no poder é nossa", da própria direita.

Temos a esquerda mais hipócrita da Europa, e à esquerda mais hipócrita não se dá bonbons, dá-se pancada política", concluiu.

Fazendo a distinção entre aquilo que diz ser a "direita clássica" e a "nova direita", André Ventura afirmou que não tem qualquer "vírus", apontando que muitas pessoas questionam a legitimidade de uma relação política entre Chega e PSD.

Mas, para o deputado, a grande pergunta não é essa, mas antes a seguinte: "Pode ou não a direita clássica sonhar em regressar ao poder sem a nova direita", sendo aplaudido depois da questão.

Em claras indiretas ao PSD, André Ventura deixou bem vincada a ideia de que os sociais-democratas dificilmente vão conseguir governar sem o seu apoio, ideia que já tinha deixado expressa na TVI24.

Não há uma sondagem que não coloque o Chega em terceiro ou quarto lugar", reiterou, dizendo que Rui Rio não tem conseguido fazer o papel de oposição.

Falando novamente para a audiência, e lembrando que os presidentes da Iniciativa Liberal e do CDS recusaram, no mesmo palco, fazer parte de um governo com o Chega, André Ventura disse que "nunca mais vai haver um governo em Portugal sem o Chega".

Apontando falhas na ação da direita enquanto oposição, o deputado afirmou que a esquerda aproveitou o período para mexer no Tribunal de Contas, afastar a procuradora-geral da República ou os diretores da Polícia Judiciária.

Nunca ninguém os enfrentou como nós", vincou.

Sobre a presença do Chega no panorama político, disse que o partido deve ser tido em conta, nomeadamente "até que António Costa deixe de ser primeiro-ministro". 

António Guimarães