A chanceler Angela Merkel considerou que a Alemanha atravessa a «recessão mais grave» desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e defendeu as intervenções do Estado no sector privado para suportar a economia.

«Desde a Segunda Guerra Mundial que não tínhamos uma recessão assim, que ocorre simultaneamente em todos os países do mundo», disse a chefe do governo alemão em entrevista ao jornal «Bild».

Angela Merkel acrescentou que a Alemanha, no entanto, «está em melhor condições do que outros países» para superar a actual crise económica e financeira.

No que se refere à intervenção do Estado nas empresas em dificuldades, a chanceler prometeu usar de ponderação.

«Em tudo o que estamos a fazer contra a crise temos em conta as finanças do Estado e a margem de manobra das gerações futuras, e por isso não irá aceder a todos os desejos», referiu a dirigente democrata-cristã.

O papel do Estado «é ser o garante» de firmas que ficaram em dificuldades sem culpa própria. «A essas vamos ajudá-las».

A ajuda do Estado será também extensível aos cidadãos, «sempre que se tratar de ajudar empresas para salvar postos de trabalho, desde que isso faça sentido».

A presidente da CDU admitiu que os apoios estatais às empresas promovidas pelo governo, no âmbito de dois planos de crise aprovados em apenas quatro meses, não são consensuais no interior do seu partido.

«Os excessos dos mercados, que desencadearam a crise, obrigam-nos a ultrapassar limites e a fazer coisas que nunca faríamos, mas quando este processo terminar estabeleceremos de novo os limites da economia social de mercado», prometeu a chanceler.

Simultaneamente, pronunciou-se contra «falsas ajudas» à Opel para salvar os 26 mil postos de trabalho da construtora automóvel alemã, subsidiária da norte-americana General Motors. Tais ajudas «custam uma fortuna e acabam por ser uma grande desilusão, por isso recuso-as».

A Opel já admitiu que precisa de garantias estatais da ordem dos quatro mil milhões de euros para sobreviver.

O governo federal exige que o plano de reestruturação apresentado pela empresa seja mais concreto no que se refere, por exemplo, às garantias de postos de trabalho.

Além disso, o executivo quer evitar que eventuais ajudas à Opel revertam a fazer da casa-mãe em Detroit (Estados Unidos), que detém todas as patentes da marca alemã e está em dificuldades financeiras ainda maiores.

Merkel aludiu ainda, na entrevista ao Bild, às eleições legislativas de Setembro, anunciando que a CDU e o partido irmão da Baviera, a CSU, farão uma campanha eleitoral «dura, mas objectiva».

Simultaneamente, recusou o desafio que lhe foi feito pelo ministro-presidente democrata-cristão de Baden-Wuerttemberg, Guenther Oettinger, para «vestir o mais depressa possível o uniforme de chefe do partido», e começar já a fazer campanha pela CDU.

«Não uso uniformes, só por isso a imagem é errada, e quando sou presidente do partido deponho as minhas funções de Estado e vice-versa, mas em tudo o que faço como chanceler também sou sempre a presidente da CDU».
Redação / JF