A equipa de futsal sénior do Leixões vai suspender os treinos no Pavilhão Municipal da Biquinha, em Matosinhos, após a invasão de um grupo de cerca de 20 pessoas que agrediu e ameaçou os jogadores no treino de quinta-feira.

Recorde-se que, segundo a polícia, «um dos agredidos diz que o motivo que terá levado às agressões é o facto de, após a tomada de posse da equipa daquele pavilhão, não disponibilizar horários para os moradores do bairro o utilizarem, como acontecia antes.»

«Vamos suspender os treinos porque o plantel não sente condições para continuar a usar o espaço, disse Jorge Moreira, presidente do clube, em declarações ao Maisfutebol. «Vamos interpelar a Câmara Municipal, dona do pavilhão, e a Matosinhos Sport, empresa municipal que gere a infraestrutura, para que encontre um espaço que possa acolher a equipa», acrescentou.

O responsável mostrou-se surpreendido com o incidente, embora relate um ambiente com alguma animosidade. «Penso que se terá tratado de uma questão identitária, de pertença do espaço. Mas nós temos as pessoas da Biquinha como pessoas de bem, por isso não compreendemos esta situação», disse o responsável, frisando que na equipa há muitos jogadores da cidade e mesmo do bairro.

«Desde que começámos os treinos lá no pavilhão, na época passada, houve alguma animosidade. Alguns piropos, uma vez apedrejaram os portões, mas nada de mais. Nunca tinha acontecido uma situação com agressões», adiantou o presidente do Leixões.

Ainda assim, Jorge Moreira explica que «o clube que usou as instalações antes do Leixões, o Matosinhos Futsal, também saiu por não se sentir confortável, embora não tenha havido nenhuma situação de agressões.»

Antes, o pavilhão, que é propriedade da Câmara Municipal de Matosinhos, foi utilizado pelo clube do bairro e tinha inclusive um bar a funcionar, onde os moradores conviviam. O bar foi entretanto fechado, o que gerou também descontentamento junto da população.

Na sequência das agressões um dos atletas deslocou-se ao hospital para receber assistência médica, mas o presidente diz que o jogador «não tem ferimentos com gravidade, ficou apenas algumas mazelas.

Segundo o presidente do Leixões, os indivíduos que invadiram o treino eram jovens e estavam de cara destapada. 

A polícia foi chamada ao local, mas não conseguiu identificar nenhum dos agressores naquele momento, porque estes já se tinham posto em fuga, estando a investigação entregue agora ao Departamento de Investigação Criminal da PSP.

Sara Marques