No passado domingo Sporting e Benfica defrontaram-se em jogo do Campeonato Nacional de Voleibol. Um jogo que marcava o regresso da modalidade ao clube leonino e logo num dérbi frente ao Benfica. Em suma, uma partida com especificidades ímpares.

«Não era um jogo fácil para nenhuma das equipas. Era o jogo inicial do campeonato, o Sporting vinha de 22 anos sem voleibol e, de facto, havia um grande expetativa à volta do jogo. Era um encontro com muita tensão em que qualquer atleta estava em esforço para dar o seu melhor», começa por dizer o médico Miguel Costa, em conversa com o Maisfutebol

Durante o encontro Ary Neto, jogador do Benfica, lesionou-se com gravidade no ombro quando se preparava para rematar. O jogador dos encarnados foi prontamente assistido, no Pavilhão João Rocha, pelos médicos de ambos os clubes.

«O atleta do Benfica entrou para a zona 4 para rematar, um lance perfeitamente normal. A bola possivelmente terá ficado mais para trás do que a trajetória que o atleta previa, o que o obrigou a fazer um movimento de abdução mais extrema do braço de ataque. Terá sido esse o motivo da lesão que até é mais frequente em desportos de contacto», conta.

O infortúnio do atleta conduziu a um trabalho comum entre a equipa médica do Sporting e do Benfica. Um gesto nobre, a comprovar que existem limites que a rivalidade não ultrapassa. E, acima de tudo, um exemplo que personaliza os valores que devem imperar no desporto.

«A minha intervenção foi muito simples. De certa forma colaborei com os profissionais do Benfica. Estava focado no jogo e de certeza que poderia contribuir, apoiando e protegendo o atleta. É sempre uma situação muito constrangedora, independentemente do clube, ver um atleta em sofrimento. Uma pessoa tem de fazer o que está ao seu alcance para que as equipas possam estar nas mesmas condições. O desporto só é bonito quando dois grandes rivais estão na máxima força. É mais justo para ambas as partes», refere.

Avesso a qualquer tipo de protagonismo, o Dr.º Miguel Costa frisa que fez o que qualquer pessoa com competências para tal faria numa situação idêntica. Independentemente dos clubes envolvidos.

«Penso que foi uma resposta perfeitamente espontânea e natural. Se fosse ao contrário, as pessoas tinham respondido da mesma maneira. Mesmo se fosse outra modalidade, a resposta seria exatamente a mesma. Acho que era a obrigação mínima. A partir o momento em que existe confiança e tranquilidade é o mínimo que se pode fazer», salienta.

Recorde-se que no final do encontro, o treinador do Benfica, José Jardim, disse que «Ary Neto, infelizmente, pode ter acabado a carreira dele, pelo menos como atacante de voleibol». Miguel Costa, especialista em Medicina Desportiva e Reabilitação, garante já não ter informações relativamente ao estado do atleta e aproveitou a ocasião para lhe desejar as rápidas melhoras.

«A partir do momento que o atleta abandona o recinto só se pode saber por colegas de profissão. Não me cabe a mim fazer comentários da situação clínica. Desejo as melhoras ao atleta e uma rápida recuperação e o maior sucesso desportivo», concluiu.

Afinal, os bons exemplos ainda não estão extintos.  
 

Vítor Maia