estado grave

























"Uma frágil mulher ao telefone tentava, com amargura e impaciência, religar os fios partidos de uma vida. A sua voz era a voz da perplexidade e da angústia da perda, a voz humana", criando "essa atmosfera de suspensão do tempo, que só os grandes atores tornam possível", escreveu no programa o fundador do Teatro de Almada, Joaquim Benite.







"Tenho a memória dessa tarde longínqua dentro de mim, nítida, minuciosa", prosseguia o encenador, recordando esse fim de dia, quando era jornalista do vespertino República. "A notícia do espetáculo, que escrevi, foi, obviamente, cortada pela Censura".







A mulher da sua geração que mais admirou



"Recordo-a como a mulher mais importante, a que mais admiro da minha geração", disse Carmen Dolores em declarações à agência Lusa, lembrando o papel de Maria Barroso como atriz do Teatro Nacional D. Maria II, durante a ditadura, quando foi impedida de trabalhar.



"Foi uma mulher cheia de coragem, uma mulher cheia de talento e uma cidadã extraordinária toda a sua vida e em todas as suas ações, tanto na vida privada, como na vida pública. Acho que todos a devemos admirar", sublinhou.



"Foi das poucas vezes em que, infelizmente, nos encontrámos [em palco]. Não nos encontrámos como atrizes, mas encontrámo-nos como mulheres. Andámos no mesmo liceu e ela foi sempre uma mulher extraordinária com quem se podia contar para tudo", disse.