O compositor norte-americano Harold Budd, nome maior da música ambiente do século XX, morreu, na terça-feira, aos 84 anos, vítima de “complicações de covid-19”, segundo uma publicação na sua página no Facebook.

Obrigado a todos os amigos e fãs que, de forma tão maravilhosa, o apoiaram ao longo dos anos. Pedimos que, por favor, respeitem a privacidade da família durante este tempo difícil”, pode ler-se na mensagem.

 

HAROLD BUDD 1936-2020

Harold Budd passed away today at age 84 years old from complications of COVID-19.

Thank you to...

Publicado por Harold Budd em  Terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Colaborador frequente de nomes como Brian Eno e Cocteau Twins, influenciado por compositores como Morton Feldman e Terry Riley, Harold Budd tinha uma afinidade às artes, com destaque para expressionistas abstratos como Mark Rothtko.

Um texto no jornal britânico The Guardian lembra que o género de música criado por artistas como Budd ganhou uma nova dimensão este ano, devido ao confinamento, mas “música ambiente” era uma denominação estranha ao compositor norte-americano, apesar de ser considerado um dos seus “padrinhos”. 

A palavra ‘ambiente’ não me diz nada. É suposto significar algo, mas, não tem sentido. Não é relevante para mim. O meu estilo é a única coisa que consigo fazer bem. Não penso em géneros. Não penso em rótulos, não têm significados.”

Harold Budd nasceu em Los Angeles, na Califórnia, em 1936. Quando tinha 21 anos, decidiu inscrever-se num curso de teoria musical numa faculdade comunitária local, depois de um período da vida em que o jazz foi o género mais presente.

Depois de ter tocado bateria numa banda do exército com o saxofonista Albert Ayler, Harold Budd estudou com Gerald Stang, um “protegido” de Schoenberg.

“Como vários dos compositores californianos da sua geração, interessou-se nas formas mais meditativas de música, na ideia de um ambiente musical controlado e num sentido de espiritualidade não-doutrinária”, pode ler-se na biografia publicada no seu site.

Afastado da “música de padrões” de Philip Glass e de Steve Reich, Budd ficou fascinado por música medieval e da Renascença, tendo assumido a interpretação ao piano depois de ter discordado da forma como uma das suas peças foi tocada.

Em 1978, Budd lança “The Pavilion of Dreams”, produzido por Brian Eno, que o compositor considerou o seu “nascimento enquanto artista sério”.

Budd viveu no Reino Unido entre 1986 e 1991, tendo sido aí que iniciou os trabalhos em conjunto com Robin Guthrie, dos Cocteau Twins. Veio ainda a colaborar com Andy Partridge, dos XTC, Hector Zazou, Jah Wobble, John Foxx, de Ultravox, Fila Brazilia, entre outros.

Budd fez também bandas sonoras, como as de, entre outras, “Mysterious Skin” e “Pássaro Branco”, de Gregg Araki, ambas com Robin Guthrie.

Mais recentemente, Harold Budd compôs a banda sonora da série da HBO “I Know This Much is True”.

/ CM