Um rapaz, de nove anos, que se encontrava em coma devido a lesões sofridas durante o concerto de Travis Scott, em Houston, morreu no passado domingo, aumentando para 10 o número de vítimas mortais no Festival Astroworld.

A criança, internada no hospital de Houston, no Texas, estava em coma induzido, após ter sofrido ferimentos graves durante uma onda de multidão que acabou por comprimir o público do concerto, levando à morte de oito pessoas no local. Uma nona pessoa acabaria por perder a vida alguns dias depois.

Numa página do site de angariação de fundos GoFundMe, onde a família de Ezra Blount pedia ajuda para fazer face aos custos do internamento, o pai do menino descreveu os eventos que levaram à morte do filho.

Treston Blount, o pai da criança, tinha o filho sentado em cima dos ombros, quando o público se precipitou em direção ao palco, esmagando-os no processo. O pai do rapaz acabou por perder a consciência e, quando acordou, o menino estava desaparecido. Quando finalmente foi encontrada, a criança estava ferida com gravidade.

O rapaz sofreu graves danos cerebrais, após ter sido “pontapeado” e “pisado”, acabando por ser “quase esmagado até à morte”. Ezra Blount é a vítima mortal mais jovem do festival. As vítimas mortais tinham entre 14 e 27 anos: uma vítima tinha 14 anos, outra 16 anos, duas 21 anos, outras duas 23 anos e uma 27, havendo ainda uma vítima cuja idade não foi revelada.

A família do jovem colocou a organização do festival em tribunal e pede uma compensação monetária de um milhão de euros.

A morte ocorre numa altura em que já estão abertos diversos processos contra o artista, bem como contra a promotora do concerto, a Live Nation Entertainment, que conta já com um historial de falhas de segurança.

As autoridades continuam a investigação para apurar o que aconteceu ao certo. Uma das hipóteses em cima da mesa é que as vítimas possam ter sido drogadas.

“A multidão começou a comprimir-se em direção à frente do palco, e isso causou algum pânico e começou a provocar alguns ferimentos”, explicou o chefe dos bombeiros que deu resposta à emergência, acrescentando que as pessoas “começaram a cair, ficar inconscientes e isso criou ainda mais pânico”.

“Aconteceu tudo muito depressa. Pareceu-nos que tudo aconteceu em minutos”, disse Larry Satterwhite, da polícia de Houston. “De repente, tínhamos várias pessoas no chão, com paragens cardíacas ou outros problemas médicos.”

João Guerreiro Rodrigues / JGR