«The Suburbs» *****

Arcade Fire

Ao terceiro disco, os canadianos Arcade Fire são já uma das bandas de culto da geração indie rock. Depois do sucesso de «Neon Bible», o segundo registo lançado em 2007 e muito aclamado pela crítica, e antes de «Funeral», em 2004, eis que surge «The Suburbs», lançado esta semana no mercado mundial e condenado também ao êxito. Mais um quadro de vida que tanto pode ser o livro de memórias de Win Butler como o que poderia ter sido.

«The Suburbs» foi inspirado em cartas de amor do liceu, revelou o vocalista à imprensa, mas é mais do que isso. O disco relata a nostalgia, ou será ansiedade, que envolve o despertar da juventude geograficamente localizada no quotidiano das cidades secundárias e irrelevantes - a guerra dos subúrbios. Os Arcade Fire continuam a mitificar a sua infância e a dar-lhe uma consciência sociológica.

Nos subúrbios dos Arcade Fire vivem-se emoções e aborrecimentos que são aqui descritos como a banda-sonora de uma história que muitos se identificarão. Segundo nos descreve a letra das músicas, nos subúrbios há muito a fazer e também às vezes não há nada.

No quadro sonoro (e literário, - tantas descrições entusiasmantes) do disco dos Arcade Fire ouve-se que nos subúrbios os rapazes querem ser duros. Aprende-se a conduzir à socapa e, num momento de leviandade, rouba-se a chave do carro à mãe para uma voltinha clandestina.

Nos subúrbios há um aborrecimento que de repente resgata os jovens imberbes para a modorra. Dão-se voltas de 180 graus e subitamente apetece ter um filho. Vive-se no sonho que grita qualquer coisa. É a música que se faz ouvir e que agora nos chega neste disco de referência.

Ouve aqui «The Suburbs»:

Paula Oliveira