Quando soarem as badaladas finais de 31 de Dezembro, os Delfins estarão a despedir-se oficialmente de um projecto pop com 25 anos de existência, mas o momento não significa o adeus definitivo da banda de Cascais.

A grupo musical anunciou há mais de um ano que iria acabar e tem andado desde então a percorrer o país numa digressão de despedida. O último dos últimos concertos acontecerá no dia 31 de Dezembro na baía de Cascais, cidade onde nasceram, num cenário de festa, da passagem de ano de 2009 para 2010. O concerto terminará às 00:00, seguindo-se um fogo de artifício e uma saída da banda de barco, referiu Miguel Ângelo, vocalista, em entrevista à agência Lusa.

Acabam-se os Delfins, uma das bandas pop da música portuguesa que fez sucesso nos anos 1990, mas continuam os Delfins, porque há inéditos, gravações ao vivo, edições comemorativas, que estão ainda por editar.

«Apenas acaba uma marca activa que se chama Delfins e que será uma marca passiva no futuro. Há muita coisa para pôr cá para fora. Não vai ser um «blackout» total, vamos continuar a estar presentes, quer queiram quer não, na música portuguesa», disse Miguel Ângelo entre risos.

Há ainda uma autobiografia da banda que Miguel Ângelo está a preparar minuciosamente, recuperando as estórias e a história da banda, os altos e baixos da vida dos músicos, o sucesso, os concertos, o contacto com o público, numa forma de registar o lugar que os Delfins tiveram na música portuguesa.

«Humildemente, acho que tem um lugar importante para a música pop portuguesa contemporânea, que não tinha uma presença muito forte. Tinha havido um surto de rock português, mas a pop não tinha muita representação e aí desbravámos um bocadinho um caminho», defendeu o músico.

Em meados dos anos 1980 surgiu uma banda, os Delfins, vinda de Cascais com uma pop solarenga que contrastava com o lado soturno e depressivo da música da altura, recorda Miguel Ângelo. As referências eram quase todas da cultura anglo-saxónica, mas a música era cantada em português.

Um dos primeiros sucessos foi uma versão de «Canção do engate», de António Variações, assim como o «clássico» «Baía de Cascais» e «Um lugar ao sol».

Em 1993 editaram o mais conceptual dos álbuns - «Ser Maior - Uma História Natural», e mantiveram o sucesso até finais dessa década.

Depois, recorda Miguel Ângelo, houve um momento em que a banda se questionou se fazia sentido o grupo continuar. Foi com o virar do milénio, altura em que alguns dos elementos lançaram álbuns a solo. Em 2008, Fernando Cunha anunciou a sua saída e a banda revelou que faria apenas uma digressão de despedida, que culminaria no dia 31 de Dezembro de 2009.

«O maior medo que eu tinha perdi-o este ano na tournée. Era que as canções pudessem estar datadas ou que as pessoas não as quisessem ouvir mais. Os espectáculos que fizemos, foi incrível ver milhares de pessoas, três gerações a cantar os temas», recordou o vocalista.

Miguel Ângelo assegura que não há tristeza e melancolia no ar: «É algo que já interiorizámos há um ano e meio quando decidimos acabar».

No dia 31 de Dezembro, a banda vai revisitar cronologicamente os 25 anos de carreira com 25 temas, cada um dos quais com convidados especiais, pessoas que fizeram parte dos Delfins ao longo dos anos, sejam ou não músicos.

Depois disso, Miguel Ângelo tira um ano sabático na sua carreira - novo disco a solo só em 2011 - e associa-se a outros projectos musicais, um dos quais a anunciar em Janeiro com músicos de Cabo Verde.

Miguel Ângelo, 43 anos, fecha 2009 a garantir: «Não vamos esperar por ter a idade do José Cid para ser um fenómeno kitsch e toda a gente adorar os Delfins».