Há um ano, Tony Carreira tinha um disco quase pronto, que deveria ser lançado antes do natal. Mas que acabou por nunca chegar às lojas. A 5 de dezembro, a sua filha Sara morreu num acidente de viação e o músico adiou todos os seus compromissos profissionais. Após uma longa pausa, decidiu voltar ao estúdio e fazer um disco diferente, porque também ele era um homem diferente.

"Este disco tem uma mensagem especial e é muito o reflexo do momento", explica Tony Carreira, entrevistado por José Alberto Carvalho na TVI. O disco chama-se "Recomeçar", porque é disso que se trata: "Pelo menos tentar recomeçar, sou obrigado a tentar porque não há outra alternativa".

"Recomeçar" será lançado em novembro e é com ele que Tony Carreira volta à estrada, com uma série de concertos Portugal, França, Canadá e Estados Unidos, com passagem pela Altice Arena, em Lisboa, a 27 de novembro. 

Assim como o disco, houve outros projetos profissionais foram interrompidos. Há um ano, Tony Carreira  assinou um contrato de exclusividade com a TVI que vai, efetivamente, avançar.

O músico revela que tem vários projetos que gostava de concretizar e que prevê produzir diferentes conteúdos para a TVI, entre os quais uma minissérie uma minissérie autobiográfica mas ficcionada, que deverá ser lançada para assinalar os 35 anos de carreira que celebra daqui a dois anos. O músico não esconde o seu entusiasmo com este "biopic" que já está em andamento. 

A música foi como uma terapia

Gosto de cantar canções de amor. Era isso que consumia quando tinha dez anos e sonhava ser cantor, gosto de canções de amor, independentemente do género musical. E há sempre nos meus discos uma parte autobiográfica", diz Tony Carreira.

Tony explica que, depois da "partida" da filha (ele não gosta de lhe chamar morte), precisou de uma pausa mas, aos poucos, começou a sentir a falta da música e dos palcos. Do projeto que tinha antes guardou apenas quatro canções, "tudo o resto foi composto desde então", diz. 

Voltar ao estúdio e aos palcos foi para Tony Carreira uma espécie de terapia.

Ao contrário de muitos pais que passaram pelo problema, pela tragédia que eu estou a passar, a minha dor é igual à deles, mas a música tem uma cena mágica e tem me feito muito bem. O meu refúgio nesta dor foi o estúdio, foi lá que eu me fechei, por vezes para chorar, mas consegui encontrar alguma felicidade dentro daquelas quatro paredes. Só aqui é que senti alguma paz."

"O regresso foi por amor à musica. E hoje com mais convicção do que nunca: eu faço muitas coisas, mas cada vez mais aquilo onde sou feliz é na música", diz. Tony espera que o palco e os aplausos lhe façam bem. "Mas se eu achar que o meu caminho, em termos de cabeça, espiritual, passa por outra coisa, farei outra coisa, porque eu tenho que tentar, enquanto cá andar, andar minimamente bem."

Ainda hoje, "há momentos que são duros, difíceis. Esta perda é uma coisa que jamais vou superar, isso eu já sei". E lamenta ainda não saber o que aconteceu naquela noite: "Faz agora dez meses, ainda não sei nada do inquérito, ainda não sei o que aconteceu, e acho que é desumano. Agarro-me àquilo que posso, agarro me a certas coisas que pontualmente me fazem bem mas claro que tenho momentos em que caio".

Apesar de tudo, Tony Carreira garante que não desiste: "Depois da partida da minha filha tenho que me erguer, por mais que doa, e assim será".

Redação