Um milhão de dólares, mais de 850 mil euros: é este o valor exigido por um fã que ficou “gravemente ferido” no concerto do rapper Travis Scott, onde morreram oito pessoas.

Kristian Paredes, de 23 anos, avançou com uma queixa em tribunal contra o músico norte-americano, alegando que aquele “incitou a multidão” durante o concerto de sexta-feira, em Houston, Texas. Do processo fazem parte ainda o rapper Drake, a empresa organizadora do festival Astroworld bem como a dona do recinto.

A queixa, citada pela imprensa internacional, dá conta de que a vítima terá pedido ajuda aos seguranças do evento, acabando ignorado. Há, pelo menos, um outro processo reforçando esta tese: Manuel Souza, residente no Texas, vai também recorrer à Justiça, acusando a organização de negligência. É esperado que outros festivaleiros avancem com ações semelhantes.

Ao longo dos últimos dias têm-se multiplicado os relatos nas redes sociais, dando conta do pânico da multidão que participava no concerto. Há ainda a registar centenas de feridos. As vítimas mortais têm entre 14 e 27 anos.

Com a pressão, em especial na parte da frente da plateia, houve quem começasse a ter dificuldades em respirar. Os relatos dão conta de pessoas esmagadas no chão. As primeiras terão caído pelas 21:38. Ainda assim, apesar dos apelos a chamar a atenção dos seguranças, Travis Scott continuou o concerto pelo menos mais meia hora.

Mas esta não é a primeira vez que estes incidentes acontecem num concerto do rapper, que incentiva os fãs a manifestarem-se com energia durante os espetáculos.

Travis Scott já foi condenado duas vezes por conduta desordeira. Na primeira vez, em 2015, por ter encorajado o público a subir ao palco do festival. Já em 2017 acabou mesmo detido por acusações semelhantes, num espetáculo no Arkansas. No mesmo ano, foi processado por um fã que ficou parcialmente paralisado após ter sido empurrado de um camarote, no terceiro andar, de uma sala de espetáculos em Manhattan.

Travis Scott trata os fãs por “ragers”, furiosos em português, e é conhecido por lhes lançar desafios arriscados. Em 2017, por exemplo, desafiou um fã a atirar-se do balcão da sala. O momento foi amplamente partilhado no Twitter.

Eles apanham-te, não tenhas medo! Não tenhas medo!”, gritou o rapper durante um concerto em 2017.

A energia violenta, pedida pelo artista aos fãs durante os concertos, é reconhecida nas próprias canções. Por exemplo, “Stargazing”, lançada em 2018, integra esta frase: “It ain’t a mosh pit if ain’t no injuries” [não é um ‘mosh pit’ se não houver feridos]. Um “mosh pit” é um movimento em que a multidão, em conjunto, dança de forma energética e mesmo violenta.

No concerto de sexta-feira estavam cerca de 50 mil pessoas. A polícia está a investigar se elementos do público foram drogados durante o concerto.

Redação / WL