«Lights & Darks» é o nome do novo álbum de Rita Redshoes que chega agora às lojas. O título surgiu bem antes da composição do disco, através de um filme de Wim Wenders («O Estado das Coisas»), mas acabou por encaixar nas novas canções da cantautora portuguesa.

«É um nome muito acertado em relação ao disco. Porque, de facto, ele passa por diversos ambientes - uns mais obscuros, outros com um humor quase desprendido em termos de composição. Tem um lado luminoso (...) [e outro mais] contemplativo», explicou Rita Redshoes em entrevista ao IOL Música.

Inspirada por viagens

O segundo trabalho a solo de Rita Redshoes nasceu inspirado na literatura de autores como D.H. Lawrence, Albert Camus e Florbela Espanca, e nas várias viagens que a artista realizou durante o último ano - de Florença às Ilhas Maldivas.

«Fui a uma ilha tropical e adorei. Se pudesse, vivia lá. O contacto com a terra é uma coisa mais parecida com quando eu era pequenina e vivia no campo. Nas férias voltei a essas raízes, ainda por cima com o lado exótico», contou a artista de 28 anos, que regressou a casa com vontade de «ouvir os discos de exótica» de autores como Les Baxter e Esquivel.

«Apetecia-me ouvir aqueles arranjos estranhos com instrumentos estranhos», acrescentou.

Em Florença, «os dois ou três dias» passados em museus deixaram a cantora «fascinada» com a pintura renascentista: «Há ali uma linguagem secreta por detrás dos quadros. Um chapéu perdido assim no meio de um cenário que não tem nada a ver».

«Esse lado religioso do bem e do mal, e o que está por detrás disso... Esse mood também entrou na inspiração do disco», revelou.

«Queria desarrumar a casa»

Tal como no primeiro disco, Rita voltou a trabalhar com o produtor Nelson Carvalho, mas desta vez a cantora e compositora decidiu criar canções «menos limpas» e «menos orquestradas» do que as de «Golden Era».

«Havia algumas ideias que eu queria desconstruir em relação ao primeiro [disco]. Acho que [o "Golden Era"] ficou certinho. Está muito orquestrado, está muito arrumado. Mas era uma das coisas que eu queria tentar ultrapassar. [Queria] desarrumar, desarrumar a casa», afirmou Rita.

Para «desarrumar» «Lights & Darks», a cantautora decidiu «clarificar» as canções: «Quis pôr um lado mais cru, mais directo, nas canções e na forma como elas foram construídas. Queria uma coisa mais livre, mais orgânica, mais visceral».

Convidados especiais e DVD com curtas

«Captain Of My Soul» é o single de apresentação de um disco composto por 14 temas e que conta com a participação de vários convidados musicais, entre eles José Pino (Conjunto Mistério, The Blue Jeans Band), Dana Colley (Morphine), Paulo Furtado (Wraygunn, The Legendary Tigerman) e Ricardo Fiel (Phase, David Fonseca).

«Lights & Darks» está disponível em quatro versões diferentes. A edição especial incluiu um DVD com curtas-metragens que acompanham as canções do disco.

Vê aqui o vídeo da entrevista a Rita Redshoes:

João Silva