São já mais de dez anos na música, resumidos e reunidos agora num disco que recorda as principais canções de Tiago Bettencourt. Mas mais do que apenas uma compilação de singles e êxitos, «Acústico» é também o primeiro álbum do cantautor gravado ao vivo.

«Como eu não tinha nenhum CD ao vivo, achei que era engraçado fazer deste álbum qualquer coisa mais especial. E então fomos para o estúdio Namouche, que tem uma sala grande, tínhamos 70 pessoas a assistir, e fizemos ali um concerto muito intimista e muito engraçado», recordou Tiago Bettencourt em entrevista ao IOL Música.

«Não sinto que estou aqui há dez anos»

Em «Acústico», lançado agora em CD e DVD, Tiago Bettencourt percorre os anos nos Toranja e os discos mais recentes com os Mantha. Uma década de canções que não pesa sobre os ombros do músico.

«[Os dez anos] passaram tão rápido... Ainda me sinto a maior criancinha. Eu, no fundo, tenho a idade de grande parte dos novos artistas que estão agora a aparecer. Eu simplesmente tive a sorte, quando ainda sabia muito pouco, de poder ter lançado um disco», explicou o músico.

«Eu não sinto que estou aqui há dez anos, que sejam dez anos de carreira», completou.

«Não ponho de parte um concerto pontual dos Toranja»

Para além de uma orquestra de 16 músicos, o disco ao vivo conta com as participações especiais de Lura e Jorge Palma. Outro dos músicos em palco foi Ricardo Frutuoso, antigo guitarrista dos Toranja.

«Eu precisava de mais um guitarrista para este "Acústico" e achei que a escolha lógica era o Ricardo. Nós sempre nos demos muito bem, os dois à guitarra complementamo-nos muito bem. E por isso, ainda antes de o ter [por] ele ter sido o guitarrista dos Toranja, chamei-o por ele ser muito bom guitarrista e por ser fã do trabalho dele», contou Tiago, revelando que «foi muito bom tê-lo de novo a tocar as músicas dos Toranja».

Seis anos depois da separação, será esta a altura para um regresso do grupo? Para Tiago Bettencourt, é uma situação que «não faz muito sentido», embora não ponha de parte a possibilidade de «um concerto pontual de celebração».

«Acho que os Toranja tiveram o seu tempo. Se calhar somos capazes de fazer uns concertos como os Ornatos Violeta fizeram agora, assim pontuais. Acho engraçado porque tenho saudades deles. Não ponho de parte um concerto, assim de repente, pontual, que seja também uma noite especial. Nós continuamos amigos, continuo com muitas saudades deles, por isso, se for uma coisa divertida de se fazer, acho que sim», admitiu Tiago.

No entanto, o músico afastou a hipótese de um regresso dos Toranja também aos discos de originais: «Não fazia sentido voltar agora ao que fiz no princípio da carreira».

2013, ano de novos concertos e não só...

Com o novo ano à porta, os planos de Tiago Bettencourt para 2013 vão passar por novos concertos.

«Estou ansioso por voltar a dar concertos. Eu estou parado há quase um ano, por isso preciso de concertos para sobreviver. Nesta altura preciso de ir explodir para cima de um palco, é uma coisa que me falta muito como músico. Por isso, estamos todos ansiosos por voltar à estrada, por voltar a dar concertos e por voltar a encontrar o nosso público», explicou.

E as novidades não vão ficar apenas pelos palcos. O próximo ano deverá também servir para a gravação de um novo disco de estúdio.

«Eu estou sempre com vontade de gravar novo material. Eu quase que tenho de me segurar para não estar sempre a lançar coisas novas. A verdade é que os meus álbuns demoram sempre um bocadinho de tempo a chegar até às pessoas e, por isso, tem de haver tempo, tem de haver prazos, tem de haver espaços de retiro para descansar a imagem também», afirmou.

«Acho que esta foi a altura [certa] para lançar este primeiro álbum ao vivo e espero estar a gravar, ou se calhar até lançar, no final de 2013, qualquer coisa de originais.»
João Silva / Paulo Sampaio (imagem) e Nuno Filipe Silva (edição imagem)