São 21 as crianças que, numa primeira fase, vão ser apoiadas pela Associação Sara Carreira, criada pela família Carreira. O objetivo, contou Tony Carreira em entrevista a Manuel Luís Goucha, esta segunda-feira na TVI, será "ajudar crianças desfavorecidas" a perseguirem os seus sonhos, seja numa carreira artística ou noutra carreira qualquer. Para isso, as crianças vão ter "padrinhos" que as vão orientar. 

Se tivermos o privilégio de ter aqui um primeiro-ministro, um grande médico, um grande cantor, um grande jogador de futebol, então teremos a missão cumprida. O único lucro que queremos ter é que se lembrem da nossa filha a fazer o bem", disse o músico.

Pouco mais de cinco meses depois da morte da sua filha, Tony Carreira sentou-se a conversar com Manuel Luís Goucha, claramente emocionado. "A Sara era luz, era uma alegria, era a minha princesa. Era a mulher da minha vida", disse o músico, recordando a filha que morreu num acidente de viação em dezembro do ano passado, com 21 anos. 

"A vida tem sentido quando se perde uma filha?", começou por perguntar o apresentador da TVI. Tony Carreira não hesitou na resposta: "Não, claramente não."

"É muito complicado responder a isso porque tenho mais dois filhos", admitiu. Mas Tony Carreira está a "tentar encontrar um sentido", agarrando-se aos filhos David e Mickael e à associação que criaram para homenagear Sara.

Além disso, Tony Carreira gravou dois temas inéditos que Sara Carreira deixou escritos. E escreveu novas canções, dedicadas à filha, que vão fazer parte do seu próximo disco. 

"Estou à espera de respostas, de perceber o porquê de a vida ser tão injusta, e estou à procura de caminhos", diz. E mais adiante confirma: "Não há dor pior do que esta, de perder um filho

Quando a minha filha partiu foi de uma violência extrema. Morri por dentro", confessa o músico, que tem atualmente 57 anos. A sua primeira reação, admite, não foi a melhor.

 

Bebi mais do que devia, andei ali uns tempos em que parecia um zombie, fui injusto com pessoas que amo muito, fui agressivo para o mundo inteiro", confessa.

Essa fase já passou. "A revolta acho que já foi. Não me leva a lado nenhum." Neste momento, Tony Carreira continua a ir ao cemitério todos os dias mas encontrou uma maneira de ultrapassar parte da dor: "Eu que não acreditava na vida depois da morte, passei a ter alguma fé. Isso dá-me alguma esperança, dá-me jeito hoje acreditar que há". 

Agora, Tony Carreira está empenhado em ser cada vez melhor pessoa, porque acredita que só assim poderá ter alguma probabilidade de reencontrar a sua filha, em algum lugar.

Duas certezas tenho: uma delas é que nunca mais volto a ver a minha filha cá. Tenho que me resignar e aceitar este facto. E outra é que nunca mais serei o mesmo."

Apesar de tudo, o músico começa agora a pensar no regresso aos palcos e no próximo ano já tem planos para fazer 25 concertos em França e cerca de 40 em Portugal. "Pedi ao meu agente para me marcar o máximo de espetáculos possíveis. Preciso de estar ocupado e de não pensar."

Redação