A música de José Afonso “é como se fosse a raiz moderna da música portuguesa", defendeu o músico Davide Zaccaria, diretor musical do projeto “Por Terras do Zeca”, editado em CD, que é apresentado em Lisboa esta terça-feira.

Para o músico, “a melodia de José Afonso é absolutamente intocável e muito inspiradora de novos projetos”, como este ao qual deu corpo com os músicos Filipa Pais, Maria Anadon, Zeca Medeiros, João Afonso, Firmino Pascoal e Vítor Paulo.

Esta não é primeira vez que Zaccaria visita o repertório de José Afonso, “que deve ser entendido além do seu contexto político, estando contudo absolutamente atual a sua mensagem social", disse à Lusa.

A melodia é imbatível e a forma como ele compunha, com a intenção do que queria dizer e dos versos, [que] são imbatíveis, é uma lição para todos nós”, disse.

O alinhamento do novo disco teve em conta “canções menos conhecidas” de José Afonso, mas também algumas emblemáticas, como “Traz Outro Amigo Também” e “Venham Mais Cinco”

O álbum abre com “Por esta entrada” e inclui 18 temas, entre os quais “Verdade e mentira”, “Lá no Xepangara”, “Ali Está o Rio” e “Canção da Paciência”, a par de “Os Vampiros”, “O Comboio Descendente” e “O Que Faz Falta”.

As ilustrações são de Pedro Sousa Pereira e há um texto de José Mário Branco, que trabalhou com o criador de "Coro dos Tribunais", em álbuns como "Cantigas do Maio" e "Venham mais Cinco".

Para José Mário Branco, José Afonso “é um mestre” que, como “os grandes mestres da cultura”, tem sido alvo de glosas, citações e reinterpretações.

“Por Terras do Zeca” é apresentado na terça-feira à noite, no Capitólio, no Parque Mayer, em Lisboa, com um elenco alargado que inclui os músicos Ana Lains, Carlos Alberto Moniz, Patxi Andión e Stefania Secci.

O espetáculo conta também com a histórica Filarmónica Vaguense, de Vagos, no distrito de Aveiro, constituída por 50 músicos jovens, entre os 09 e os 20 anos, dirigidos pelo maestro Leonel Ruivo.

Em Lisboa, a Filarmónica o resultado de um projeto pedagógico com a música do José Afonso, como Zaccaria destacou à Lusa.