O novo disco da brasileira Maria Bethânia, «Oásis de Bethânia», vem recheado de homenagens a Portugal, com uma faixa dedicada ao fado, além da interpretação de «Não sei quantas almas tenho», do Fernando Pessoa.

A canção «Fado», composta pelo músico Roque Ferreira, foi gravada com viola caipira, instrumento tipicamente brasileiro, escolhido pela própria Bethânia para substituir a guitarra portuguesa.

«Todas as vezes que gravei ou ouvi brasileiros gravando fado com guitarras portuguesas, não gostei da sonoridade. Não sei se é porque a gente não sabe gravar, ou porque não temos intimidade com o instrumento, mas o resultado não é como quando ouço Amália», afirmou Bethânia, em conferência de imprensa no Rio de Janeiro, citada pela agência Lusa.

«A viola caipira trouxe uma leitura brasileira linda, de raiz, de força, que corresponde ao brilho da guitarra portuguesa. Não é imitando, não é fingindo, é nitidamente a viola caipira tocando o fado, e acho que tem tudo a ver com a nossa história de colonialismo», explicou a cantora sobre o instrumento que faz soar como uma guitarra portuguesa.

Ao dizer-se fortemente ligada a Portugal, Bethânia confessa que Fernando Pessoa é o poeta de sua vida e diz-se muito feliz por cantar nos Coliseus portugueses - Bethânia tem um concerto marcado para o Coliseu de Lisboa e outro para o Coliseu do Porto, em maio próximo.

«O público português me trata com muito respeito e muito carinho, adoro cantar nos Coliseus. Tenho um elo forte com a poesia de Fernando Pessoa, que é o poeta de minha vida. Ouvi muito Amália, muito, e conheço toda a novidade da música portuguesa também», comenta.

Questionada sobre o que seria o «Oásis» de Bethânia - nome do novo disco - a cantora associou a palavra ao sertão brasileiro, paisagem que descreve como uma de suas fontes de vida e de inspiração.

«O sertão é onde não tem nada, não tem água, então falta tudo. É uma condição limite que Deus coloca e, para mim, isso é como se fosse uma fonte, uma nascente muito pura. Para eu não me perder, tenho sempre de lembrar que existe esse lugar no meu país», diz Bethânia, fazendo apelo a uma linguagem mais lírica.

Em nome próprio

Pela primeira vez, Bethânia também decidiu gravar um texto seu intitulado «Carta de Amor». A artista minimiza, no entanto, o seu talento como poetisa e diz que foi um momento particular, em que sentiu necessidade de se expressar de outra maneira.

«Escrevi esse texto no ano passado e aí pensei: 'preciso também de dizer essas palavras'. Não sei se é bom, se é mau, se é bonito, se é feio. Mas me deu vontade e eu fiz», desabafa a cantora, que diz não ter pretensão de ser escritora.

«Escrevo para mim e depois queimo. Acho purificador queimar, porque é um momento que vem e depois deve passar», conclui nesta entrevista à agência Lusa.

Maria Bethânia apresenta-se no Coliseu do Porto no próximo dia 08 de maio e, no de Lisboa, a 12 de maio, onde interpretará canções de Chico Buarque (que também atua em Portugal em setembro).

A 10 de maio, Bethânia apresenta-se no CAE - Centro de Arte e Espetáculos da Figueira da Foz, para uma sessão de leitura.