O cantor, compositor e produtor musical norte-americano Scott Walker morreu nesta segunda-feira, aos 76 anos. A notícia foi confirmada pela editora 4AD, que editava o trabalho do artista desde 2004. Walker deixa a esposa, uma filha e uma neta. A causa da morte não foi divulgada. 

Nascido em Ohio e criado na Califórnia, nos Estados Unidos, Scott Walker teve grande reconhecimento de crítica e público na Inglaterra, e é considerado um dos ícones da música avant-garde e alternativa.  Sua música é marcada pela voz de barítono e tom tranquilo, com melodias dramática e sombria. 

Durante meio século, o génio nascido Noel Scott Engel enriqueceu a vida de milhares de pessoas, primeiro como parte do grupo Walker Brothers, e mais tarde como artista a solo, produtor e compositor de originalidade intransigente. Scott Walker era um titã, único e desafiador na vanguarda da música britânica: audacioso e questionador, produziu obras que ousam explorar a vulnerabilidade humana e a escuridão ímpia que a rodeia.”, detalha o comunicado da 4AD.

 

 

Influências

O estilo das canções de Scott Walker marcou diferentes gerações. Ele influenciou artistas como David Bowie, Marc Almond (Soft Cell), Jarvis Cocker (Pulp), Artic Monkeys e Radiohead. Thom Yorke, inclusive, fez uma publicação em homenagem ao músico no Twitter.

Estou muito triste ao saber que Scott Walker faleceu. Ele foi uma grande influência para o Radiohead e para mim, mostrando como eu poderia usar minha voz e minhas palavras. Conheci-o em Meltdown, e ele era um gentil outsider. Ele fará muita falta.”, escreveu.

 

 

 

 

 

 

O compositor Marc Almond, do duo britânico Soft Cell, também escreveu sobre a influência e importância do trabalho de Walker. No Instagram, conta que está triste e chocado com a morte de Scott Walker, a quem ele considera um génio e diz que as músicas ficaram na sua memória para sempre. 

 

 

Trajetória

 

Noel Scott Engel nasceu em 1943, filho de um geólogo de Ohio. Começou a sua carreira em 1964 como baixista, e mudou seu apelido quando entrou para o The Walker Brothers. Na década de 1960 o trio teve uma ascensão meteórica, especialmente na Grã-Bretanha, com sucessos como "The Sun Ain't Gonna Shine Anymore" e "Make it easy on yourself".

Entre 1967 e 1974 ele lança quatro discos (Scott 1,2,3 e 4) que foram aclamados pela crítica especializada. De 1975 a 1978 voltou a se reunir com os The Walker Brothers e produziram três álbuns.

Depois de ficar recluso durante três anos, Walker lança em 1984 o seu primeiro álbum solo em 10 anos, Climate of Hunter

Entre 1996  e 2005 ele não lançou discos novos, mas esteve sempre ligado à produção musical e a editar compilações. Em 2006, retoma a carreira solo com o disco The Drift, primeiro depois de um intervalo de 11 anos. Segue então com participações em bandas sonoras para dança e cinema.

Com base na política, na guerra, na peste, na tortura e na dureza industrial, os épicos apocalípticos de Scott usaram o silêncio, bem como efeitos do mundo real e vozes reduzidas para articular o vazio. Às vezes, gótico e misterioso, muitas vezes cinematográfico, sempre surpreendentemente visual, suas obras alcançaram o inexprimível, emergindo do espaço como anseios de textura e dissonância. De ídolo adolescente a ícone cultural, Scott Walker deixa para as futuras gerações um legado de música extraordinária; um brilhante letrista com uma voz assombrosa, ele tem sido um dos mais reverenciados inovadores no final da música criativa, cuja influência em muitos artistas tem sido livremente reconhecida. O escopo e o dinamismo de sua visão aumentaram a dimensão tanto do cinema quanto da dança, e ele surpreendeu o público com músicas cuja composição transcende o género e cuja originalidade desafia a rotulagem.”, escreve a editora 4AD.

Em 2017 a BBC homenageou Scott Walker com um concerto no Royal Albert Hall, em Londres. Recentemente, em 2018, ele escreve e produz as partituras das músicas do filme Vox Lux, do diretor Brady Corbet, com Natalie Protman no papel principal.