O compositor e pianista António Pinho Vargas congratulou-se com o prémio José Afonso, com que foi distinguido na quinta-feira, sobretudo pelo significado «afectivo», tendo em conta o que representa e representou aquele cantor, escreve a agência Lusa.

«Em Portugal não há muitos prémios no campo musical, e quando há prémios gerais é raro irem parar a músicos, por isso eu fico muito contente, porque qualquer prémio é um acto de apreço, de reconhecimento e de generosidade por parte de quem o dá», afirmou António Pinho Vargas em declarações à Lusa.

O duplo álbum «Solo II», de António Pinho Vargas, foi distinguido por unanimidade com o Prémio José Afonso 2010, atribuído pela Câmara Municipal da Amadora, conforme anunciou a autarquia na quinta-feira.

Para o compositor, é «particularmente grato que o prémio ostente o nome José Afonso».

«Tem um certo significado para mim do ponto de vista afectivo, face ao que ele representa ainda hoje e ao que representou no passado», disse.

Para António Pinho Vargas, José Afonso era «um homem atento ao mundo», algo que o compositor também tenta ser.

«O mundo mudou e, se calhar, se [José Afonso] não tivesse morrido tão cedo, as posições dele também teriam mudado. Mas a memória que nós guardamos dele é suficientemente bonita, da música, das letras, do papel que teve do ponto de vista simbólico na luta contra o antigo regime anti-democrático. É-me muito grato ter um prémio que se chama José Afonso», afirmou.

O CD de António Pinho Vargas, editado em 2009 e que inaugurou a editora discográfica David Ferreira Iniciativas Editoriais, foi o escolhido de um conjunto de 11 finalistas, cuja lista o júri divulgou pela primeira vez.

Segundo nota da autarquia, foram ouvidos «mais de 150 álbuns editados em 2009» dos quais se seleccionou um grupo de 11, tendo sido escolhido por unanimidade o de António Pinho Vargas.

«O duplo CD "Solo II" representa um ponto alto na carreira de António Pinho Vargas, autor de uma obra ímpar que admite várias influências, entre as quais a de José Afonso, a quem aliás o pianista e compositor homenageia neste disco através da sua visão muito pessoal do tema "Que amor não me engana"», justificou o júri.