O projecto Anaquim acaba de chegar às lojas. O compositor e letrista José Rebola não tem dúvidas de que o álbum «As Vidas Dos Outros» tem uma missão especial.

«Vem em nome de uma personagem fictícia que representa aquele nosso lado que se questiona sobre as coisas que encontramos dentro de nós e à nossa volta. O Anaquim é suposto ser um duende que cai aqui vindo do nada e que tem oportunidade de fazer uma crónica sobre o que se encontra à sua volta sem estar marcado pelo peso da tradição ou de um passado», explicou José Rebola, numa entrevista concedida ao IOL Música.

Mas, afinal, por que é que esta personagem, o Anaquim, é tão importante e representativa para a banda ao ponto de dar nome ao projecto?

«Quase toda a gente conhece o Anakin Skywalker do filme «Guerra Das Estrelas», que no início representa o salvador da Pátria e que depois se transforma no senhor do Mal. O nome da banda é uma reflexão dessa dualidade que há nessa personagem e também dentro de cada um de nós. Todos nós somos um bocadinho bipolares, uma dicotomia entre o Bem e o Mal», esclareceu.

José Rebola encontrou inspiração em tudo aquilo que gira à sua volta, passando até pelas personagens de banda desenhada e de filmes de animação. O resultado: 16 crónicas urbanas que não se inibem de recorrer ao exagero caso isso ajude a passar a mensagem.

«O álbum é uma grande salada de fruta em termos musicais, porque abarca muitos estilos. Tem influências mais portuguesas, como Fausto, Sérgio Godinho e Zeca Afonso, mas também vai beber muito à canção francesa, às influências balcânicas e até à música country. Ao nível das letras, procurámos abordar problemáticas actuais, tentando passar sempre a mensagem de uma forma leve», acrescentou.

Vê aqui a entrevista:

«As Vidas Dos Outros» é o título do álbum de estreia dos Anaquim. Mas, afinal, como é que são as vidas dos outros que tanto inspiraram a banda?

«No fundo, as vidas dos outros são tão complicadas como a

nossa. Nós é que às vezes gostamos de pensar que não, que as vidas dos outros são mais simples e fáceis de resolver, que só nós é que temos aqueles problemas com uma unicidade extraordinária e que ninguém nos vai compreender», disse, em tom de brincadeira.

Ana Bacalhau, dos Deolinda, teve uma participação especial no divertido e folclórico tema «O Meu Coração». Satisfeita, a banda recorda como tudo aconteceu.

«Começou através de mensagens de MySpace. Depois surgiu a coragem da nossa parte de fazer o convite e a Ana, que é extremamente simpática, aceitou. Foi uma surpresa muito agradável e que enriqueceu imenso o trabalho».

Um bairro imaginário, mas familiar, onde se cruzam as mais diversas personagens e onde se desenrolam as mais diversas histórias, serve como pano de fundo para o álbum. Álbum esse que, segundo o vocalista, só poderia ser cantado na língua de Camões, uma vez que representa a sociedade portuguesa.

«Eu já tive outros projectos em que me expressava em inglês. No entanto, em português talvez consigamos expressar melhor certas ideias ou emoções que fazem parte da nossa identidade cultural e que têm as palavras próprias para descrever isso», argumentou.

Mas para quem ainda não teve oportunidade de conhecer o disco, José Rebola deixa um aviso.

«É um álbum não para se ouvir uma vez e entrar logo. É como o vinho do Porto: é para se ir ouvindo, ir envelhecendo e ir redescobrindo. É um álbum que se poder ouvir 100 mil vezes sem cansar e há sempre qualquer coisa para descobrir», conclui o líder dos Anaquim.