Os Madredeus, que tiveram uma segunda vida a partir de 2008 com Pedro Ayres Magalhães e um novo grupo de músicos, anunciaram o fim com a edição do álbum «Castelos na Areia», marcado para segunda feira, escreve a agência Lusa.

Em comunicado, a banda explica que «Castelos na Areia» é o terceiro e último álbum de originais e que completa uma trilogia iniciada em 2008 com «Metafonia» e «Nova Aurora».

Pedro Ayres Magalhães e Carlos Maria Trindade reformaram os Madredeus em finais de 2007, depois da saída de Teresa Salgueiro, José Peixoto e Fernando Júdice de um dos projectos de maior sucesso dos anos 1990 da música portuguesa.

Na altura, Pedro Ayres Magalhães dizia à Lusa que a nova formação pretendia «inventar uma nova concepção de música cantada em português para grandes espectáculos, inspirada na diversa tradição das suas próprias composições e nos arranjos da música popular da Europa, da África Ocidental e do Brasil».

A matriz que vinha dos Madredeus mantinha-se, disse, mas renovava-se com novos instrumentos.

Pedro Ayres Magalhães mantinha-se na guitarra clássica, direcção musical e produção, Carlos Maria Trindade continuava nos sintetizadores, juntando-se a Banda Cósmica com as cantoras Mariana Abrunheiro e Rita Damásio e os músicos Ana Isabel Dias (harpa), Sérgio Zurawski (guitarra eléctrica), Gustavo Roriz (guitarra baixo), Ruca Rebordão (percussão), Babi Bergamini (bateria) e Jorge Varrecoso (violino).

«Os concertos não abundam e a venda de CDs é irrisória»

O comunicado divulgado dá conta que a Banda Cósmica terminou em Dezembro por causa da falta de meios. «Os concertos não abundam, a rádio e televisão pouco arriscam na divulgação deste tipo de música e a venda de CDs é completamente irrisória», escreve a banda.

«Castelos de Areia», que fecha o ciclo dos Madredeus, foi gravado no ano passado nos estúdios de Carlos Maria Trindade, no Alentejo, e reúne 11 temas originais, destinados a serem divulgados «por uma rádio progressista».

Os Madredeus foram um dos mais singulares nomes da música portuguesa, desde que se formaram em 1986 em Lisboa, com uma sonoridade que destoava do pop-rock de então.

O projecto, que procurava a inspiração na tradição popular portuguesa com uma sofisticação que não existia na altura no panorama português, deveu muito do sucesso às melodias de Pedro Ayres Magalhães e à voz de Teresa Salgueiro.

Venderam cerca de três milhões de discos em todo o mundo, por conta de registos como «Existir», «Os Dias da Madredeus», «O Espírito da Paz» ou «Um Amor Infinito».