O músico brasileiro Gilberto Gil cancelou a atuação que tinha marcada para Telavive, em Israel, no dia 4 de julho, na sequência de protestos em Gaza durante os quais o exército daquele país matou 60 palestinianos.

A informação foi avançada pelo colunista d’O Globo Ancelmo Gois e já foi saudada pela Campanha Palestiniana pelo Boicote Académico e Cultural de Israel, mais conhecida por movimento BDS.

Numa declaração divulgada pelo promotor local do concerto e citada pelo The Jerusalem Post, Gil lamentou, mas disse que "após uma cuidada reflexão" a banda não iria atuar em Israel este ano.

O sentimento geral de todos é de apreensão, uma vez que Israel está a atravessar um momento sensível. Esperamos contar com a vossa compreensão, já que é um assunto que também é delicado para nós. Amamos Israel e sempre nos sentimos calorosamente recebidos. Haverá outras oportunidades e esperaremos por tempos melhores", lê-se no texto.

Em julho de 2015, Gil e Caetano Veloso tinham sido alvo de vários apelos do movimento BDS e de outros músicos como Roger Waters para que não atuassem em Israel, mas mantiveram o concerto. Nesse momento, fizeram uma visita à Cisjordânia, guiada pela organização não-governamental Breaking The Silence, criada por veteranos do exército israelita que pretendem mostrar ao público o que dizem ser “a realidade da vida quotidiana nos territórios ocupados”.

Meses mais tarde, Caetano Veloso publicou um texto na Folha de São Paulo, intitulado “Visitar Israel para não mais voltar a Israel”, no qual realçava o quanto apreciava o país, mas com uma ressalva final: “Gosto de Israel fisicamente. Telavive é um lugar meu, de que tenho saudade, quase como tenho da Baía. Mas acho que nunca mais voltarei lá”.

Na semana passada, pelo menos 60 palestinianos foram mortos e 2.711 ficaram feridos em protestos na Faixa de Gaza perante o exército israelita, no que foi o dia mais sangrento desde a guerra do verão de 2014 em Gaza.

Os protestos inseriram-se no movimento de contestação designado “marcha de retorno”, iniciado a 30 de março, e ocorreram no mesmo dia em que foi inaugurada a embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém.

Desde o início da "marcha de retorno", cerca de 100 palestinianos foram mortos.