A pandemia cancelou concertos e festivais de música, não nos podemos acotovelar para chegar ao palco e dançar apertados entre milhares de pessoas. Mas os Flaming Lips encontraram uma maneira de continuar a atuar ao vivo: a banda de rock norte-americana decidiu colocar o público em grandes bolhas de plástico, que permitem desfrutar a experiência do concerto em conjunto mas mantendo as devidas distâncias de segurança.

O projeto está a ser construído há quase um ano. O grupo testou a ideia numa apresentação no programa de Stephen Colbert, em junho, e depois, num pequeno concerto em outubro, em Oklahoma, EUA, a sua terra natal. Mas a estreia oficial do novo concerto dos Flaming Lips aconteceu no fim de semana passado, com dois concertos também em Oklahoma.

Na plateia havia 100 bolas, cada uma com capacidade para até três pessoas. Os elementos da banda também estavam dentro de bolas. As cápsulas foram equipadas com altifalante, uma ventoinha, garrafa de água, toalha e uma placa dizendo "Tenho que fazer xixi" e "Está calor aqui" para ser mostrada aos assistentes, que acompanhavam os espectadores (com máscara) à casa-de-banho ou insuflavam ar fresco na bolha. Até havia umas bolas especiais com a inscrição "Fuck you covid-19".

A ideia foi do vocalista, Wayne Coyne, que já estava habituado a usar uma bola Zorb para "surfar" por cima da plateia. Só que antes era só ele que estava dentro da bola e, agora, na versão pandémica, toda a gente está dentro de bolhas. 

“Eu acho que somos bastante sortudos pelo facto de os fãs dos The Flaming Lips gostarem mais ou menos desta... aventura”, disse à BBC o vocalista. Participar num destes concertos é "mais seguro do que ir ao supermercado", garantiu Coyne, que diz que apesar da barreira de plástico é possível vibrar com a música exatamente como antes. 

O alinhamento com 13 temas incluiu alguns das canções mais populares dos Flaming Lips, como "Race for the Prize", "Yoshimi Battles the Pink Robots" e "Do You realize?". 

Maria João Caetano