Lisboa voltou a receber a visita de um dos mais sonantes nomes da indústria do entretenimento esta terça-feira. No Pavilhão Atlântico, recentemente rebatizado MEO Arena, Rihanna regressou ao local do crime onde em dezembro de 2011 tinha provado que estava à altura de princesas e rainhas da pop com um espetáculo competente, animado e de encher o olho.

Um ano e meio depois - que para a prolífica cantora significa «dois álbuns mais tarde» -, a passagem de Rihanna pelo nosso país, apesar de sempre muito saudada por milhares de fãs, ficou uns pontos abaixo. É que depois de uma longa espera até que o concerto começasse, faltou dinâmica, e até alguma vontade, a uma máquina pop que em vários momentos pareceu mais um karaoke gigante.

Sala praticamente cheia de público, muitas famílias com crianças (para verem uma das mais atrevidas cantoras do momento), e a hora de início do espetáculo marcada no bilhete era 19h30. Rihanna só subiu ao palco por volta das 22h20. Pelo meio, a dupla de DJs GTA animou o final de tarde durante cerca de uma hora, seguindo-se um intervalo de quase 90 minutos em que quase tudo valeu para disfarçar uma longa espera - incluindo assistir à inconfundível figura de José Castelo Branco a dançar «Harlem Shake», momento captado pelas câmaras que transmitiram o concerto nos ecrãs gigantes.

Finda a espera, foram milhares as gargantas que se fizeram ouvir em gritos estridentes assim que as luzes da arena se apagaram. «Mother Mary» e «Phresh Out The Runway» começaram logo por apresentar o novo álbum, «Unapologetic», lançado em novembro, mas o que saltava mais à vista era o cenário de colunas greco-romanas e múltiplos ecrãs de vídeo - o circo visual eficaz e quase obrigatório em qualquer espetáculo pop que se preze.

Rihanna, de longos cabelos louros, depressa perdeu a cauda de um vestido que se revelou curto o suficiente para que o infindável girar e balançar de ancas, acompanhado de movimentos pélvicos, fosse inflamando as já por si apimentadas letras de canções como «Birthday Cake» (não é exatamente um tema sobre bolos de aniversário).

Rodeada de dançarinas, banda completa (mais uma vez com o português Nuno Bettencourt na guitarra) e coristas, a artista dos Barbados deixou, desta vez, a cantoria pela metade, e vários foram os temas que ficaram assegurados em grande parte ou pelas cantoras da banda ou em faixas pré-gravadas. Tudo isto faz parte de um espetáculo pop, bem sabemos, mas é pena porque Rihanna até é das que sabe realmente cantar (e bem).

O calor das influências jamaicanas em «Man Down» e «Rude Boy», a energia alimentada com chamas em palco de «Jump», e um «Umbrella» já longe da versão original, mas nem por isso menos celebrado pela plateia (houve até uns quantos guarda-chuvas abertos), marcaram os pontos altos da primeira metade de um concerto que acabou por perder a chama.

Enquanto algumas crianças já dormitavam no colo dos pais, na zona das bancadas, Rihanna puxava pelo lado rockeiro em «Rockstar 101», com direito a solo de guitarra de Bettencourt e solo de air guitar da própria cantora, em joelhos.

Mas o público só viria realmente a acordar ao som da eletrónica de «We Found Love» - agora sim, a banda sonora ideal para a tão prometida festa pop. Rihanna aventurou-se à frente da plateia, distribuiu autógrafos e voltou ao palco com uma bandeira portuguesa.

Continuando em modo discoteca, «S&M», «Only Girl (In The World)» e «Where Have You Been» conduziram eficazmente a festa até ao encore. No regresso ao palco, e de vestido brilhante (na última das 5 mudanças de roupa), «Stay» foi a balada da noite que antecedeu a despedida construída inteligentemente. Bastou terminar o concerto com o single mais badalado do último disco, «Diamonds», para que Rihanna saísse de cena em grande.

Final de festa feliz de um espetáculo inconstante, mas que não deixou de alegrar os fãs. A sempre sorridente Rihanna prometeu um novo regresso, quem sabe se daqui a outro ano e meio.
João Silva