Kendrick Lamar nasceu em Compton, num bairro problemático de Los Angeles. Era apenas uma das muitas crianças que cresceram lado a lado com o mundo do crime. Vivenciou desde cedo espancamentos e assassinatos que, segundo o próprio, o obrigaram a “endurecer”. Tinha tudo para seguir uma vida de delinquente, mas optou por pela música e acabou por tornar-se uma estrela de rap mundial.

Tinha apenas oito anos quando decidiu que queria ser rapper. No entanto, em entrevista à Rolling Stone, Lamar conta que primeiros anos da sua vida misturam-se com o mundo do crime. Tinha apenas quatro anos quando se registou um motim de semanas face à onda de racismo de agentes brancos contra moradores negros e apenas cinco quando testemunhou um assassinato mesmo em frente à sua casa (quando um traficante de droga disparou contra um comprador, ambos também muito novos).

Lamar garante que esse momento o tornou mais frio e acabou por tomar conta da sua adolescência. Era jovem e seguiu as pisadas de outros no mesmo bairro, ao integrar um gangue, mas isso não fez dele um criminoso. Na mesma entrevista à Rolling Stone, confessa que, na maioria das vezes, ficava apenas a ver.

Decidiu dar o salto para a música. De acordo com o El País, os temas do cantor eram de tal forma histórias de vida, que chegaram a ser usadas como forma de protesto, tal como aconteceu durante as manifestações do ano passado em Chicago e em Nova Iorque, durante as quais manifestantes gritavam "Toda a minha vida tive de lutar", a primeira frase da canção ‘Alright’.

Lamar espelha nas letras os testemunhos de uma vida marcada pelo crime e outras vivências dignas de serem contadas em álbum.

Aliás, o segundo trabalho de originais, “Good Kid, mA.Ad City", fala precisamente de roubos e fugas à polícia, refletindo um episódio chocante da vida de Lamar e da sua relação com as autoridades. Em duas ocasiões, conta o El País, Kendrick foi alvejado pela polícia e o seu melhor amigo matou a tiro um agente, depois de este ameaçar a namorada com uma faca. “A polícia é o maior gangue da Califórnia”, diz Lamar.

Esse álbum valeu-lhe um reconhecimento generalizado e uma nomeação para o Grammy de melhor álbum de rap. 

O último álbum, DAMN, foi lançado há poucos dias e já atingiu o número um nos Estados Unidos, tal como aconteceu com os dois álbuns anteriores.

Neste último caso, o single "The Greatest" conta já com mais de 31 milhões de visualizações no Youtube.

Além de refletirem histórias de vida, as canções de Kendrick são, para muitos, um reflexo do problema racial vivido nos EUA: a repressão policial contra os cidadãos negros. Lamar revê-se nessas histórias e pretende continuar a expressar-se através da música.

Se vens daquele ambiente é impossível não falares sobre isso. Está no sangue, porque eu sou como o Trayvon Martin [o menino de 17 anos morto por um agente na Flórida, em 2012], eu sou um deles”, disse ao The Guardian.

Em Portugal, Kendrick Lamar já chegou ao quinto lugar das 50 músicas mais tocadas no Spotify.