Pintor, cantor e compositor de canções, Piers Faccini é, ao 40 anos de idade, um exemplo vivo do cantautor viajante que percorre o mundo em busca de inspiração. Em 2009, o músico inglês lançou o seu terceiro álbum de estúdio, «Two Grains of Sand», influenciado por sonoridades várias.

Dos ritmos brasileiros no tema título às cores da música tuaregue do noroeste africano em «Your Name No More», Piers gravou ainda com um pequeno coro zulu na faixa «A Home Away From Home».

«Gravei grande parte em minha casa, em França, mas levei os ficheiros comigo quando fui em digressão pela África do Sul há dois anos e meio. E então gravei com uma cantora fantástica chamada Busi Mhlongo. Ela estava acompanhada pelos sobrinhos, que também cantam, e fizeram um pequeno coro para mim», contou o músico em entrevista ao IOL Música.

O poder das palavras de Bob Dylan e Leonard Cohen

Música africana, os blues do Mississipi, a folk britânica e os singer songwriters de expressão inglesa são as principais influências de um artista que aos 13 anos ficou fascinado com o poder das canções.

«Quando ouvia o Bob Dylan ou o Leonard Cohen ficava maravilhado com o poder daquelas palavras. As coisas que eu vivi e que queria viver ou que queria expressar estavam a ser expressadas por estas pessoas», recordou.

«Eu podia aprender coisas sobre mim e sobre a vida, aprender a comunicar, ouvindo canções.»

Em constante movimento

Filho de pai italiano e mão inglesa, Faccini descende de uma família com raízes multiculturais. O músico nasceu em Inglaterra, mas desde cedo habituou-se a viajar.

«É engraçado porque descendo não só da parte cigana, cuja cultura está ligada ao movimento, mas também (...) todos os meus avós são emigrantes de diferentes sítios do mundo. A forma como fui criado também está relacionada com o movimento, viajando de um lado para o outro, falando línguas diferentes», explicou Piers Faccini, que, apesar de viver actualmente no sul de França, não descarta a hipótese de mudar de ares para outros destinos.

«Deixámos Londres para vivermos em França, mas amanhã podíamos ir viver para qualquer outro lugar. Talvez venha viver para Portugal, quem sabe», acrescentou.

Quem canta os seus males espanta

A estreia de Piers Faccini em palcos portugueses aconteceu durante o festival Super Bock em Stock 2009. O cantautor aproveitou para visitar Lisboa e acabou por conhecer as típicas casas de fado.

«Fomos a um pequeno bar numa tarde de domingo. Não havia outros turistas para além de nós. Apenas gente local a cantar fado, como umas senhoras portuguesas gordinhas, com grandes vozes... Eu achei o máximo, adorei», contou.

«De certa forma, sinto-me mais próximo das pessoas que tocam música apenas por paixão e que nem sequer ganham dinheiro com isso. Elas vão lá numa tarde de domingo e cantam. E, quando cantam, isso fá-las sentir bem. A música faz algo por elas e é como se espantassem os seus problemas cantando.»

Vê aqui o vídeo da entrevista a Piers Faccini:

João Silva