O Coliseu dos Recreios, em Lisboa, recebeu esta quarta-feira uma «rockalhada» das antigas. Tudo graças a Slash, ex-guitarrista dos Guns N' Roses e verdadeiro ícone das seis cordas, que depois da estreia em concertos no Porto, no dia anterior, desceu até à capital para incendiar os ânimos dos fãs com riffs e solos contagiantes.

O pretexto principal desta passagem por Portugal era o disco de estreia a solo do músico norte-americano, mas Slash recuperou também alguns dos momentos altos dos Guns N' Roses, Velvet Revolver e Slash's Snakepit.

Myles Kennedy, vocalista da banda que Slash escolheu para levar consigo em digressão, lançou o repto: «Are you ready to fucking rock 'n' roll?». O coliseu, bem composto de público, respondeu afirmativamente e vibrou ao som das primeiras canções - de «Ghost», do disco a solo, a «Dirty Little Thing», dos Velvet Revolver, passando por «Nightrain», dos Guns N' Roses.

Myles deu mostras de ser suficientemente versátil para seguir os diferentes registos vocais de cada canção, mas esta foi uma noite atípica, já que, como era esperado, o vocalista dos Alter Bridge não foi o centro das atenções. A cartola preta, a cabeleira encaracolada e os óculos escuros são imagens de marca que tornam Slash numa figura intemporal apesar dos 44 anos já bem vividos. O guitarrista tomou frequentemente a proa do palco para se lançar em solos ovacionados pelos fãs.

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Perante uma plateia bastante jovem - muitos rostos adolescentes que talvez conheceram Slash como personagem de videojogo -, o músico e a sua banda acabaram por seguir o caminho seguro de apostar em temas mais conhecidos, como «Civil War» (Guns N' Roses) ou «Fall To Pieces» (Velvet Revolver), para apoiar as canções do novo trabalho.

O instrumental «Watch This», originalmente gravado com Dave Grohl e Duff McKagan, deu descanso à voz de Myles Kennedy e fez as delícias dos entusiastas da guitarra, antes de Slash se dirigir pela primeira vez ao público, anunciando o 10º aniversário do seu filho, Cash. O miúdo subiu ao palco acompanhado pela mãe e foi presenteado com um «Parabéns a você» tocado pela banda e cantado pelo público.

Depois, foi a vez de Slash voltar a brilhar num tricotar de notas gemidas na sua Gibson Les Paul. Ao solo, seguiu-se a versão do tema principal do filme «O Padrinho», agora já com toda a banda em palco. Sem dar um segundo de descanso, o guitarrista colou o riff inicial de «Sweet Child O'Mine», dos Guns, e o coliseu rebentou de entusiasmo num dos grandes momentos da noite. Afinal, quer queira ou não, Slash continua preso aos grandes sucessos da banda que continua a ser liderada por Axl Rose.

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Por esta altura, já Myles Kennedy envergava orgulhosamente uma t-shirt comprada numa lojas de recordações turísticas, com um galo de Barcelos estampado no tecido branco. A falta de gosto do cantor pouco interessou na hora de cumprir o seu dever: dar voz aos grandes temas da noite, como «Slither» (VR), «By The Sword» e «Communication Breakdown» (Led Zeppelin), estes dois últimos já durante o primeiro encore.

E que melhor final de festa do que recuperar «Paradise City» do baú das memórias? O single de 1988 fez jus à qualidade de hino «rockeiro» e levou a plateia à última explosão de energia. Muitos saltos, algum mosh e letra cantada do início ao fim. E viva o rock 'n' roll!
João Silva