O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu, esta quinta-feira, que Moçambique tem o direito de exigir da comunidade internacional solidariedade e apoio em casos de desastres naturais, realçando que o país é dos menos poluidores no mundo.

Moçambique praticamente não contribui para as alterações climáticas e para o aquecimento global, mas o país está na primeira linha das vítimas do aquecimento global. Isso dá-lhe o direito de exigir da comunidade internacional uma forte solidariedade e um forte apoio", afirmou António Guterres.

O secretário geral da ONU falava momentos após ter sido recebido pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, no âmbito da visita de três dias que, esta quinta-feira, iniciou a Moçambique.

Para Guterres, Moçambique, que se tenta recompor após a passagem de dois ciclones, precisa de mais apoios da comunidade internacional, que tem o dever de apoiar um país que, apesar de pouco contribuir para o aquecimento global e a poluição ambiental, sofre com as consequências.

As Nações Unidas estiveram e estarão ao lado de Moçambique apoiando o país, naturalmente apelando a comunidade internacional para que apoie o país à escala da dimensão do problema", afirmou Guterres, acrescentando que o apelo humanitário das Nações Unidas foi de 282 milhões de dólares (251 milhões de euros), mas "esteve longe de ser inteiramente cumprido"

Além de destacar que Moçambique precisa de mais apoios, o também antigo primeiro-ministro português pediu que os apoios sejam canalizados rapidamente, tendo em conta que o plano de reconstrução "resiliente" dos pontos afetados já foi lançado.

É preciso apoiar a tempo", frisou Guterres, que aproveitou para "prestar homenagem ao Governo e ao povo moçambicanos pela resposta extraordinária" que foi dada, "numa situação extraordinariamente difícil".

Por seu turno, o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, destacou o apoio e solidariedade imediata das Nações Unidas na assistência às comunidades afetadas pelos ciclones Idai e Kenneth, afirmando que "os moçambicanos agradecem".

Quando foi anunciado o ciclone Idai, o secretário-geral foi a primeira pessoa que se juntou aos moçambicanos. Os apoios que os moçambicanos receberam foram o resultado dos pedidos que o secretário-geral fazia pessoalmente", afirmou o Presidente moçambicano, que estendeu o agradecimento a todos os países que apoiaram Moçambique e depois dos desastres naturais.

O ciclone Idai atingiu o centro de Moçambique em março, provocando 604 vítimas mortais e afetando cerca de 1,8 milhões de pessoas.

Pouco tempo depois, Moçambique voltou a ser atingido por um ciclone, o Kenneth, que se abateu sobre o norte do país em abril, matando 45 pessoas e afetando outras 250.000.

O orçamento total para a reconstrução após os dois ciclones é de 3,2 mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros), tendo o Governo moçambicano conseguido em maio durante a conferência internacional de doadores 1,2 mil milhões de dólares.