Figura: Nakajima

Está a ver um sempre-em-pé? Imagine-o com uma bola colada ao pé. Nakajima raramente perdeu o controlo da bola, driblou camisolas escuras e nem mesmo as entradas dos adversários o pareciam fazer cair. O nipónico foi o jogador que iluminou o futebol ofensivo dos portistas: deu-se ao jogo, recebeu e definiu com critério entrelinhas e estreou-se a marcar. Não há golos bonitos nem golos feios, mas o primeiro golo do internacional japonês devia ser daqueles que levanta estádios. Contou na mesma e colocou o FC Porto nos quartos de final pela terceira vez desde a chegada de Conceição.

Momento: VAR confirma golo e Nakajima estreia-se a marcar, minuto 29

Quem espera sempre alcança. Há 16 encontros que Nakajima procurava o primeiro golo pelo FC Porto. Acabou por consegui-lo ao aparecer oportunamente na frente de Rafael Ramos a desviar o cruzamento de Corona para o fundo da baliza de André Ferreira. O Santa Clara ficou a pedir falta do mexicano sobre Candé no início do lance, mas Fábio Veríssimo e o VAR confirmaram o golo.

Destaques:


André Ferreira: o melhor elemento do Santa Clara no Dragão. O guarda-redes revelou-se bastante seguro em todos os momentos do jogo e acumulou defesas de grande nível: susteve o cabeceamento de Zé Luís logo a abrir, segurou o desvio de Pepe, fez uma bela mancha a nova tentativa do cabo-verdiano e negou um golo de belo efeito a Corona. Adiou, portanto, o golo portista o máximo que pôde. Pelo que nível que exibiu, André não merecia ter encaixado mais que um golo.

Alex Telles: é o homem das bolas paradas. Foi do pé esquerdo do internacional brasileiro que saíram as duas primeiras oportunidades de golo dos dragões. O lateral mostrou uma disponibilidade impressionante a apoiar o ataque e só foi ultrapassado por uma vez na jogada mais perigosa do adversários. Telles ficou a centímetros do 2-0 num livre direto que entusiasmou as bancadas durante o dilúvio.

Diogo Costa: tem uma maturidade e uma confiança invulgares para quem é tão novo. O campeão europeu de sub-19 só foi chamado a intervir por uma vez na primeira metade e fez a defesa da noite, desviando por cima da trave um pontapé forte de Francisco Ramos. Diogo Costa segurou praticamente todos os cruzamentos – e não foram poucos pelo estado do relvado – na segunda parte. Não sofre golos há seis jogos e fez história, igualando o registo de Mlynarczyk - está a um de alcançar o recordista Hilário.

Vítor Maia / Estádio do Dragão, Porto