Os :papercutz são a primeira banda portuguesa escolhida para a próxima edição do Festival SXSW, que decorre em Austin, no Texas, entre 17 e 21 de Março do próximo ano.

Sem uma editora nacional para os apoiar, a banda gravou o seu álbum de estreia- «Lylac» - através de uma editora discográfica canadiana e tenta dar-se a conhecer em concertos em Portugal. Do Porto para o mundo, Bruno Miguel explica ao IOLMúsica como é que a sua banda recebeu a notícia e avança alguns dos planos os :papercutz para o próximo ano.

IOLMúsica O que sentem por terem sido escolhidos para este festival entre milhares de candidaturas?

:papercutz Sentimo-nos honrados e felizes pois parece-nos um sinal de que estamos no bom caminho. De certa forma, é o reconhecimento de um trabalho e de uma visão estética musical que não é, aparentemente, de fácil aceitação. Pessoalmente, gostava que servisse para os músicos e os melómanos em Portugal começassem a perceber que, num mundo globalizado, está na altura de começarmos a criar e reconhecer trabalhos que entusiasmam tanto o mercado nacional como o internacional, e que para isso é preciso sermos, ou tentarmos ser, o mais original possível. E levarmos para a frente as nossas ambições apoiadas num trabalho sério e consistente... isso e algum gozo à mistura. Afinal trata-se de música, a mesma coisa que tanto mexe connosco desde quando éramos adolescentes. A música tem essa coisa mágica, a eterna juventude.

IOLMúsica Em termos de carreira musical, qual é a importância da vossa actuação em Austin?

:papercutz Primeiro, a possibilidade de tocar num dos maiores encontros da indústria do mundo. Acho que é importante continuarmos a ver o nosso nome promovido fora de portas e conseguir atrair a atenção de promotores ou mesmo de novas editoras. Sabemos que não é fácil num universo onde estão perto de 2000 bandas a tocar, mas levamos a esperança de conseguir alguns contactos que num futuro mais ou menos próximo possam permitir a apresentação do nosso trabalho a uma audiência mais abrangente. Por último, a possibilidade de representar bem o nosso País, mas isso é o meu lado patriótico a falar. Fora a actuação gostávamos de conhecer outras bandas, assistir aos concertos delas, estando atentos à forma como comunicam com o público e se apresentam e reconhecer, com humildade, o longo caminho que ainda nos espera.

IOLMúsica Quais são os vossos planos musicais para 2010?

:papercutz Temos duas grandes ambições. Primeiro ganhar cada vez mais público nas nossas actuações ao vivo, tanto cá como fora de portas (temos outras datas em cima da mesa, mas queremos fazer as coisas de forma a que haja um resultado visível e não simplesmente ir tocar a qualquer lado que nos acolha). Outra das ambições, será ter uma boa aceitação das nossas próximas edições. Existe um álbum de remisturas «Do outro lado do espelho (Lylac ambient reworks)» que irá sair no início de 2010 na editora Inglesa Audiobulb com remisturas de artistas como Taylor Deupree, Helios, Simon Scott entre outros. É uma interpretação do «Lylac» em formato ambiental e inclui uma nova música instrumental de :papercutz.

É novamente algo arriscado e sei que poderá dividir quem gosta do que fazemos, mas se as pessoas derem algum do seu tempo, que compreeendo que seja cada vez mais limitado, em casa ou em longas viagens a ouvir esta nova edição, por certo vão entender por que é que este projecto me entusiasma tanto. :papercutz será sempre assim, algumas coisas com o pé mais na pop e outras um pouco mais experimentais. De certa forma, este trabalho termina uma fase dos :papercutz baseada no mesmo tema e influências visuais. Se as gravações correrem dentro do plano, irá sair um novo álbum, este sim mais no formato canção, no fim de 2010 (o qual já comecei a compor) e começa uma nova fase e arrisco dizer, uma evolução da nossa sonoridade. Ou seja, muito trabalho para 2010.