O presidente da Associação Luso-Paquistanesa, Muhamed Yassin, afastou hoje a hipótese de os cerca de dois mil paquistaneses residentes em Portugal estarem ligados a qualquer movimento terrorista, classificando a comunidade como «extremamente trabalhadora».

«Duvido que vivam em Portugal paquistaneses com ligações à Al-Qaeda ou a grupos fundamentalistas islâmicos», disse à Agência Lusa Muhamed Yassin, acrescentando que - pelo que sabe - aqueles que se deslocam a Portugal também não têm qualquer contacto com grupos terroristas.

PJ: «Portugal pode ser base para terroristas»

«Nível de alerta mantém-se»

De acordo com o responsável, é frequente cidadãos paquistaneses residentes na Europa deslocarem-se a Portugal para encontros religiosos, que geralmente se realizam na mesquita de Lisboa.

Portugal reforçou a atenção nas fronteiras e aeroportos após ter sido alertado pelos serviços secretos espanhóis para o risco de atentados terroristas durante a passagem do presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, pela Europa.

A informação sobre indícios de ameaça terrorista em Portugal foi veiculada pelos serviços secretos espanhóis, que davam ainda conta da presença em Portugal de dois operacionais paquistaneses associados a uma rede terrorista desmantelada em Barcelona.

O responsável disse que estas notícias afectam a imagem da comunidade paquistanesa em Portugal, que apenas está no país com o objectivo de trabalhar.

«São todos trabalhadores e nem sequer têm tempo para pensar em actos terroristas», frisou, adiantando que está disposto em colaborar com as autoridades policiais portuguesas.

«Caso conheça algum paquistanês com ligações ao terrorismo informo as autoridades», disse.

A maioria dos cerca de dois mil paquistaneses residentes em Portugal trabalha na construção civil e está concentrada, sobretudo, na região de Lisboa, Porto e Algarve.

Segundo Muhamed Yassin, a integração na sociedade portuguesa e falar a língua são as maiores dificuldades da comunidade, que se reúne habitualmente na mesquita de Lisboa para rezar.