"Fui tudo o que queria ser na vida política". A frase pertence ao histórico socialista Jorge Coelho, numa entrevista a Judite Sousa na TVI, a 22 de maio de 2014.

Nesta conversa frente a frente com o passado, Jorge Coelho fala do seu percurso político, que abandonou ao demitir-se do cargo de ministro da Administação Interna, na sequência da queda da ponte de Entre-os-Rios, a 4 de março de 2001. Homem forte do PS, demitiu-se com uma frase que ficou célebre: "A culpa não pode morrer solteira".  Foi substituído no cargo por Ferro Rodrigues e a sua atividade política ainda se estendeu a 2005, quando foi coordenador da campanha eleitoral que deu a primeira maioria absoluta do PS e a aposta ganha em José Sócrates, que então se tornava primeiro-ministro de Portugal.

Mas nesta entrevista, Jorge Coelho fala de várias outras situações que marcaram a sua vida. Depois de abandonar a política, dedicou-se ao mundo empresarial, com um cargo na liderança da Mota-Engil, mas nesta entrevista faz revelações que acabaram por determinar o percurso político de José Sócrates e de António José Seguro na liderança do PS. Revela, por exemplo, que foi num pequeno-almoço no Hotel da Curia que se decidiu que seria Sócrates o próximo líder do PS em vez de Seguro. 

Político conhecido por dominar o aparelho socialista, ficou célebre uma frase que descreve o seu lado combativo: "Quem se mete com o PS, leva!". Uma exclamação que o mundo político não esqueceu, como é testemunha disso este debate no Parlamento entre Passos Coelho e António Costa, em 2017. A frase tantas vezes citada nasceu em março de 2001 em defesa de António Costa, então ministro da Justiça, respondendo a críticas do então bastonário da Ordem dos Advogados, António Pires de Lima, já falecido.

Nesta entrevista à TVI, fala também de um dos momentos mais duros da sua vida, o cancro. A doença que o deitou "completamente abaixo", mas que o fez renascer. 

Em janeiro de 2017, a jornalista Susana Pinto entrevistou-o em Contenças, na aldeia de Mangualde, onde nasceu, no programa "Viagens à Minha Terra". Uma entrevista onde revisita os lugares da sua infância e revela as origens das suas raízes naquela terra pequena do distrito de Viseu.

Jorge Coelho morreu nesta quarta-feira, vítima de uma paragem cardíaca. Tinha 66 anos.

Paula Oliveira