A OCDE desceu a previsão para a economia global para 3,2%, mantendo a estimativa de 3,4% em 2020, mas advertiu que existem muitos riscos negativos que “ensombram” a economia mundial e o bem-estar das pessoas.

No relatório com as previsões económicas mundiais divulgado hoje (Economic Outlook), a organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) antecipa que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial vai crescer 3,2% este ano, menos uma décima face ao que antecipava em março, e depois da expansão de 3,5% registada em 2018.

“Esta desaceleração é generalizada, prevendo-se a moderação do crescimento este ano em quase todas as economias”, indica a OCDE, acrescentando que o crescimento do comércio mundial deverá enfraquecer ainda mais este ano, para cerca de 2%, “a taxa mais fraca desde a crise financeira global”.

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A OCDE prevê que os Estados Unidos cresçam 2,8% este ano, mais duas décimas que antecipavam em março e depois da expansão de 2,9% em 2018.

Já para a economia do Japão, a entidade espera agora um avanço de 0,7% em 2019, uma décima abaixo da previsão anterior, tendo mantido a previsão para o PIB da China, de uma expansão de 6,2%.

Já para 2020, a OCDE manteve a previsão de uma expansão de 3,4% para a economia global.

“As perspetivas permanecem fracas e há muitos riscos negativos que ensombram a economia global e o bem-estar das pessoas”, indica Laurence Boone, economista-chefe da OCDE no editorial do relatório.

A organização indica que os principais riscos incluem um período prolongado de tarifas mais elevadas no comércio entre os Estados Unidos e a China, outras medidas para criar novas barreiras comerciais, especialmente entre os Estados Unidos e a União Europeia, e um falhanço dos estímulos políticos para evitar uma desaceleração mais acentuada na China.

Outros riscos apontados pela OCDE são a persistência da incerteza política, incluindo em torno do Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia), e as vulnerabilidades financeiras decorrentes dos elevados níveis de endividamento e deterioração da qualidade do crédito.

Do lado positivo, indica a OCDE, as ações dos decisores para reduzir a incerteza política e fortalecer as perspetivas de crescimento no médio prazo, incluindo medidas que reduzam as barreiras comerciais, “melhorariam a confiança e o investimento em todo o mundo”.

“Pedimos veementemente aos governos que usem todas as ferramentas políticas à sua disposição”, indica o economista-chefe da OCDE, indicando que “é imperativo reativar discussões comerciais multilaterais”.

Além disso, onde a procura é fraca, como na zona euro, por exemplo, “os governos devem aproveitar o contexto de juros baixos para complementar os esforços estruturais com estímulos orçamentais, onde a dívida pública seja relativamente baixa”.

A OCDE frisa que “os governos podem e devem agir em conjunto para restaurar o crescimento sustentável e benéfico para todos”.

Previsão para zona euro sobe, mas existe incerteza política e tensões comerciais

A OCDE melhorou também a previsão de crescimento para 2019, para 1,2% na zona euro, duas décimas acima da anterior estimativa, mas antecipa que a incerteza política e as tensões comerciais vão continuar a penalizar as exportações e o investimento.

Em março, na atualização intercalar das suas previsões económicas (Interim Economic Outlook), a OCDE tinha descido para 1% a expansão da economia da zona euro.

A OCDE antecipa que a Alemanha cresça 0,7% este ano, enquanto o PIB de Itália deve estagnar e o do Reino Unido crescer 1,2% este ano (acima dos 0,8% projetados em março).

Para 2020, a OCDE também melhorou em duas décimas a estimativa para a evolução da economia da zona euro, para 1,4%.

A OCDE indica, contudo, que antecipa que o crescimento se mantenha “modesto, abaixo de 1,5%”, frisando que “a incerteza política e as tensões comerciais continuarão a penalizar as exportações e o investimento privado”.

Além disso, a entidade indica que devido à “forte participação das empresas da zona euro nas cadeias de valor globais, uma nova escalada das tensões no comércio mundial iria pressionar negativamente as exportações e o investimento”.